O aplicativo de entregas Rappi está expandindo a funcionalidade Turbo, em que leva produtos em até 10 minutos para os clientes, para o setor de farmácias. A operação está em fase piloto com uma loja na região central de São Paulo, com foco em medicamentos isentos de restrição e produtos de cuidado e higiene pessoal. Inicialmente, o portfólio conta com 1,2 mil itens.
Para atender as exigências regulatórias, as lojas já nascem com farmacêuticos responsáveis. Em uma fase seguinte, quando passar a vender remédios que exigem receita, a meta é ampliar a até cinco mil o mix de produtos. As integrações no sistema para validar as prescrições estão em fase de desenvolvimento.
Felipe Criniti, CEO do Rappi no Brasil, conta que um dos maiores desafios para inaugurar esta frente foi conseguir entrada com os fornecedores do mercado farmacêutico. “Fomos questionados sobre fazer parceria com alguma rede, mas a gente queria manter o ideal que usamos nas outras verticais. Queremos atender nosso cliente nos produtos que ele precisa de forma ultrarrápida.” A intenção não é concorrer com todo o sortimento de remédios, mas os que são mais demandados.
Para estruturar o negócio, o Rappi teve ajuda de uma consultoria de mercado que já tinha relacionamento no setor. Uma das empresas cujas marcas estarão na prateleira virtual do aplicativo é a Hypera.
O modelo replica o que Rappi faz desde 2021 no Brasil, majoritariamente no segmento de mercado e alimentos. “Resolvemos atacar um mercado que faturou R$ 240 bilhões em 2025 (o de medicamentos), mas que ainda tem oportunidade de levar mais comodidades aos consumidores”, afirmou Criniti. O sistema é baseado na disposição de lojas, que funcionam como pequenos centros logísticos, além de inteligência de dados para montar rotas de entrega e demandar motociclistas antecipadamente nos horários de pico.
O plano é operar o “Turbo Farma” em todas as 22 lojas de São Paulo até o final do primeiro semestre. Posteriormente, a expansão está planejada para outras cidades onde o Rappi já atua, como Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e Belo Horizonte.
Criniti aponta que a empresa se adequou à regulação atual para venda de medicamentos, já que o serviço inicia antes da mudança nas regras que permitirá a comercialização em supermercados. A Rappi constituiu CNPJ à parte e as farmácias têm endereço separado das lojas. “Sabemos que há o interesse de muitos varejistas em entrar no mercado. Será uma guerra de preços, e sabemos que não vamos competir nisso, mas apostamos no nosso diferencial da praticidade”, declarou.