O atual presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, afirmou que pretende manter participação acionária na empresa após migrar do cargo executivo para o conselho de administração.
“Tenho interesse em manter uma participação no meu portfólio em Tenda. Eu vejo potencial para a empresa destravar valor relevante. E quero ter muito skin in the game para permanecer um conselheiro muito motivado”, declarou Osmo, durante teleconferência com investidores e analistas.
Osmo acrescentou que, talvez, se desfaça de uma parte das ações, mas, ainda assim, manterá uma parte importante do seu patrimônio na construtora. “A Tenda é o meu grande projeto empresarial e ainda acho que existe mais realização de valor para acontecer. É aqui que quero ter meu capital de risco alocado.”
Ele acrescentou que tem um contrato de opções de ações (stock option) em aberto, e fará jus apenas no período de vesting – período pré-definido em contrato no qual um colaborador adquire o direito de exercer suas opções. “Há zero de conversas sobre aceleração de stock option”, enfatizou.
O novo presidente, Marcos Cruz, também receberá um pacote de opção de ações, com alinhamento para o longo prazo.
O grupo anunciou hoje uma troca no comando, com Marcos Cruz entrando no lugar de Rodrigo Osmo. Ambos atuarão como copresidentes por um período de 12 meses, começando a partir de 8 de junho. Depois disso, Osmo será indicado para o conselho de administração, e Cruz seguirá solo no comando executivo.
O presidente do conselho da Tenda, Claudio Andrade, disse que buscou um novo CEO com a mentalidade de quem busca um sócio. “Não é só questão de grana, mas da atitude e do seu papel dentro da empresa”, disse.
Sem relação com uma separação da Alea
O presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, e o presidente do conselho de administração, Claudio de Andrade, negaram que a troca no comando da empresa tenha a ver com alguma possível intenção de separar a Alea do grupo.
“Esse movimento não tem nada a ver com uma futura separação de Alea”, disse Osmo, ao ser questionado sobre o tema durante a teleconferência com investidores e analistas. “Nossa conversa é sobre a Alea virar um negócio, fazer o avião sair do chão”, enfatizou.
A Alea sofreu estouros de custos em 2025 após dificuldades em manter a mão de obra em empreendimentos em diferentes cidades, e precisou reorganizar os canteiros, enxugando a quantidade de novos projetos. Com isso, o ponto de equilíbrio (breakeven) no fluxo de caixa foi adiado de 2025 para até 2027. O quadro motivou cobranças de um grupo de investidores, que procuraram o conselho para dar um basta na queima de caixa ou descontinuar a Alea.
Andrade admitiu que houve um erro na aceleração dos lançamentos da Alea por várias cidades, mas defendeu o freio para arrumação da casa. “A Alea voltou para uma ‘escala de laboratório’ para fazer esses ajustes. Aceleramos e depois decidimos frear. Foi uma decisão corajosa. Custou uma grana, mas podia ter sido pior”, declarou.
Após a chegada do novo presidente, Marcos Cruz, o grupo terá um modelo de copresidente pelo período de 12 meses, com Osmo permanecendo na gestão. Após cerca de seis meses, Osmo vai atuar mais na direção da Alea, onde há mais desafios operacionais. Essa movimentação motivou dúvidas dos analistas a respeito de uma eventual cisão do negócio, o que foi rechaçado.
Osmo reiterou que o objetivo é estabilizar as operações da Alea até o fim do ano e deixar um caminho claro de crescimento do negócio, com a perspectiva de breakeven no ano que vem.