O déficit em conta corrente do Brasil manteve-se relativamente estável em abril na comparação com março, segundo o Itaú Unibanco. A despeito do superávit comercial, o resultado da balança foi compensado por piora na conta de serviços e por saídas maiores do que o esperado em rendas, especialmente em lucros e dividendos, conforme o banco.
Do lado do financiamento, o Itaú vê “sinais mais construtivos” em abril, com retomada do fluxo de capitais estrangeiros, concentrado sobretudo em portfólio de renda fixa, avalia em relatório a economista Julia Marasca.
O investimento direto no País (IDP) somou US$ 8,912 bilhões em abril. O resultado ficou acima do teto da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava entrada de US$ 6,500 bilhões.
Já a conta corrente teve déficit de US$ 1,765 bilhão em abril. O dado superou a mediana das expectativas, de déficit de US$ 100 milhões.
Para o Itaú, a principal surpresa negativa nas transações correntes veio de lucros e dividendos: saída de US$ 4,6 bilhões, ante -US$ 3,4 bilhões esperados.
Apesar da melhora, o Itaú ressalta que o IDP total se recuperou, mas a métrica que exclui reinvestimento de lucros segue abaixo do observado no fim do ano passado, ainda insuficiente para financiar integralmente o déficit em conta corrente.
Para 2026, o banco projeta déficit em conta corrente de US$ 69 bilhões (2,6% do PIB), com uma balança comercial mais robusta compensando parcialmente déficits de serviços e rendas, que devem permanecer pressionados ao longo deste ano.