A BrasilAgro avalia que tem espaço para fazer novas aquisições mesmo com a alta dos juros de longo prazo. O CEO da companhia, André Guillaumon, disse nesta quinta-feira, 5, em teleconferência com analistas, que a queda da dívida líquida ajustada para 1,05 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) dos últimos 12 meses, ante 2,82 vezes em junho, dá à empresa condições de buscar negócios como a incorporação da Agrifirma. A Fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), entrou no portfólio naquela operação, e a venda de parte da propriedade ajudou a BrasilAgro a voltar ao lucro no primeiro trimestre da safra 2026/27.
Segundo Guillaumon, a Agrifirma tinha dívida elevada em dólar e dificuldade de gerar caixa. A Rio do Meio, afirmou, exigiu pouco investimento desde a aquisição. “É uma transação que é um exemplo para a gente seguir e perseguir”, disse. O executivo vê hoje proprietários vendendo ativos por dificuldades financeiras a preços que a BrasilAgro, na posição de vendedora, não aceitaria. É nessas operações que a companhia procura oportunidades de compra.
A venda parcial da Rio do Meio gerou ganho de R$ 50,8 milhões no trimestre encerrado em setembro. O negócio teve valor nominal de R$ 94,2 milhões. Considerado o prazo de pagamento das parcelas, a receita reconhecida ficou em R$ 77 milhões, cerca de 2,9 vezes o valor contábil da área. Segundo Guillaumon, a BrasilAgro já recebeu 24% da operação.
A companhia encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 81,3 milhões, ante prejuízo de R$ 64,3 milhões um ano antes. A receita líquida total cresceu 16%, para R$ 351,7 milhões, e o Ebitda ajustado total avançou 47%, para R$ 94,6 milhões. O Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes feitos pela empresa. Na operação agrícola, sem o ganho com a venda de terra, o indicador caiu 32%, para R$ 43,8 milhões.
A dívida bruta subiu 5% em relação a junho, para R$ 1,074 bilhão. No mesmo período, o caixa aumentou 53%, para R$ 311,5 milhões, e a dívida líquida caiu 7%, para R$ 762,5 milhões. O balanço também traz a dívida líquida ajustada, que desconta as parcelas que a empresa ainda tem a receber de compradores de fazendas. Com R$ 626,2 milhões em recebíveis ao fim de setembro, esse indicador recuou 51% no trimestre, para R$ 136,3 milhões.
A queda da dívida ajustada refletiu tanto o recebimento de parcelas de negócios anteriores quanto o reconhecimento dos valores a receber pela venda da Rio do Meio. É esse indicador, que leva em conta os créditos das vendas já contratadas, que Guillaumon citou ao falar da capacidade de a empresa atravessar um período de juros altos e avaliar novas aquisições.
Na outra ponta, o executivo afirmou que a BrasilAgro segue disposta a vender áreas quando encontrar preços atrativos. A diversificação geográfica, feita inicialmente para distribuir riscos de produção, também ajuda a companhia a encontrar compradores. Guillaumon citou a Bahia, onde projetos de irrigação sustentam o interesse por terras, enquanto em Mato Grosso as vendas estão mais difíceis. Sobre a operação na Bahia, afirmou: “Essa venda foi importante, já no primeiro trimestre, nós não vamos parar aí, vamos estar ativos”.