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Alimentos

Santander: Minerva se destaca pela diversificação com piora do ciclo do boi no Brasil

Com plantas na Argentina, na Colômbia e no Uruguai, a empresa consegue manter o atendimento ao mercado chinês mesmo após o esgotamento da cota de exportação do Brasil, destaca o banco

Para o Santander, a capacidade da Minerva de operar em diferentes mercados sul-americanos deve ser especialmente relevante neste momento de deterioração do ciclo do gado no País (Foto: Adobe Stock)

A diversificação geográfica da Minerva deve se tornar um diferencial para a companhia diante da piora do ciclo pecuário brasileiro, segundo análise do Santander. Com plantas na Argentina, na Colômbia e no Uruguai, a empresa consegue manter o atendimento ao mercado chinês mesmo após o esgotamento da cota de exportação do Brasil, destaca o banco.

A dinâmica da cota chinesa passou a concentrar a atenção dos investidores, especialmente pelos possíveis efeitos sobre os volumes exportados e os preços do gado no Brasil. Nesse cenário, a exposição da Minerva a outros países da América do Sul permite compensar parte dos impactos sobre a operação brasileira.

A Argentina é o principal destaque. Segundo a administração da companhia, os volumes destinados à China pelo país estão acelerando de forma significativa, apoiados pela disponibilidade de cota. A utilização atual está em cerca de 80%, e a expectativa é de que os volumes no segundo semestre superem os níveis observados até agora.

No Uruguai, menos de 60% da cota chinesa foi utilizada. O Santander observa que uma aceleração dos embarques é limitada pela menor disponibilidade de gado no país. A diversificação, portanto, não elimina as restrições de oferta, mas amplia as alternativas da Minerva para atender à demanda chinesa.

No Brasil, frigoríficos menores devem reduzir o ritmo de abates, por meio da diminuição dos turnos de operação, já que a demanda doméstica não deve absorver integralmente a produção adicional. Em relação aos preços do gado, a administração da Minerva espera que o movimento sazonal de alta, normalmente iniciado em novembro, se repita neste ano.

Além da diversificação geográfica, a posição financeira da companhia deve oferecer alguma proteção caso o ambiente de margens se deteriore. A Minerva mantém uma posição de caixa considerada forte e um perfil de amortização da dívida alongado, fatores que, segundo o Santander, dão suporte à empresa em um cenário potencialmente mais desafiador. O banco também vê flexibilidade na política de distribuição aos acionistas. Caso seja necessário preservar caixa, os pagamentos de dividendos poderiam convergir para o piso mínimo de 25%.

No capital de giro, a Minerva pretende reduzir os estoques, atualmente em R$ 4,9 bilhões, e poderá operar com um nível menor ao longo do tempo. O ritmo dessa normalização, porém, ainda é incerto. Por outro lado, a comercialização dos estoques formados para atender ao mercado chinês deve se tornar um fator positivo para o capital de giro da companhia.

O Santander também identifica potencial de liberação de recursos com a normalização dos recebíveis. Em contrapartida, o banco não espera uma liberação relevante de capital de giro por meio de fornecedores, diante das atuais restrições de crédito.

Para o Santander, portanto, a capacidade de operar em diferentes mercados sul-americanos deve ser especialmente relevante neste momento de deterioração do ciclo do gado no País. A estratégia permite à Minerva “continuar abastecendo a China por meio de países diferentes do Brasil”, reduzindo a exposição da companhia às limitações impostas pelo mercado brasileiro.

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