O presidente da Copel, Daniel Slaviero, disse na sexta-feira, 27, que a expectativa da companhia com a revisão tarifária de sua distribuidora, Copel Dis, é alcançar uma base de ativos regulatórios líquida superior a R$ 18,5 bilhões. A concessionária passa nos próximos meses pelo processo de revisão tarifária periódica, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa a base de ativos e incorpora investimentos feitos pela empresa no último ciclo de cinco anos, permitindo sua remuneração pela tarifa. Ao longo desse período, a companhia investiu R$ 12 bilhões, em termos nominais.
Atualmente a companhia possui uma base de ativos de R$ 8,4 bilhões e anteriormente o executivo já tinha sinalizado uma expectativa de alcançar entre R$ 18,3 bilhões e R$ 18,5 bilhões de base de ativos.
Conforme apresentou Slaviero em videoconferência com analistas e investidores, o cronograma do processo de revisão tarifária prevê a abertura de uma consulta pública sobre o tema em março e o fechamento do processo em maio, de maneira que as novas tarifas passem a valer em junho.
Ex-AES Brasi é o novo diretor-geral de geração e transmissão
A Copel anunciou Rogério Jorge como novo diretor-geral da Copel Geração e Transmissão (Copel GeT). Ele assume o posto de Moacir Bertol, membro do Conselho de Administração da companhia e que ocupava concomitantemente a função, desde a saída de Fernando Mano, no fim de outubro.
Rogério Jorge possui 27 anos de experiência no setor elétrico brasileiro, com atuações em áreas técnicas, comerciais e estratégicas nos segmentos de geração, distribuição e comercialização de energia, informou a Copel. Em 2023, foi CEO da AES Brasil, e mais recentemente atuava como diretor de Negócios de Energia e Suprimentos da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
Em nota, a Copel afirmou que sob o comando de Rogério Jorge, a Copel GeT deverá seguir fortalecendo a eficiência de seus negócios de geração e transmissão de energia, com foco na sustentabilidade, na excelência operacional e na criação de valor aos acionistas.
Os resultados de 2025
A Copel registrou um lucro líquido de R$ 1,066 bilhão no quarto trimestre de 2025, montante 85,4% maior frente ao mesmo período do ano anterior. Além da melhora operacional, a forte alta foi influenciada pela menor carga tributária em função da maior declaração de Juros sobre Capital Próprio, informou a empresa.
Desconsiderando os efeitos não recorrentes e fatores sem impacto caixa, como valor novo de reposição (VNR), marcação a mercado (MTM), ajustes de IFRS nas transmissoras e o resultado de operações descontinuadas – o lucro líquido recorrente ficou em R$ 682,6 milhões, alta de 29,6%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançou R$ 1,848 bilhão de outubro a dezembro, alta de 42,3% na comparação anual. Já o Ebitda Recorrente, que exclui itens não recorrentes, sem efeito caixa, e a equivalência patrimonial, chegou a R$ 1,358 bilhão, um crescimento de 16,1% frente ao reportado em igual etapa de 2024.
A receita líquida da companhia totalizou R$ 7,19 bilhões nos últimos três meses do ano passado, alta anual de 18,4%.
Entre os segmentos de atuação da companhia, destaque para o negócio de Geração e Transmissão (Copel GeT), que registrou crescimento de 26,7% no Ebitda, para R$ 667,3 milhões, mesmo em meio a um ambiente desafiador, com curtailment acima de 30% no período, e risco hidrológico (GSF) perto de 70%. O desempenho foi impulsionado pela maior receita por disponibilidade de rede elétrica, com o reajuste tarifário das transmissoras e a incorporação da Mata de Santa Genebra. Também contribuíram para o resultado a redução dos custos gerenciáveis (PMSO) e as transações realizadas no Mercado de Curto Prazo (MCP).
O segmento de comercialização também se destacou, contribuindo de forma positiva para o Ebitda, devido ao aumento de 69,7% no volume de venda de energia em contratos bilaterais, para 3.824 gigawatts-hora (GWh) e à estratégia de comercialização com mitigação dos efeitos de contratos com geração a partir de fontes intermitentes.
Já a Copel Distribuição, que responde por mais da metade do Ebitda da Copel, teve desempenho positivo, embora com crescimento menos pujante. O Ebitda desse negócio cresceu apenas 1,8%, com o efeito positivo do reajuste tarifário anual de 1,3% sendo contrabalançado pela redução de 0,1% no mercado fio faturado da concessionária.
Investimento
Somente entre os meses de outubro e dezembro, a Copel registrou R$ 767,6 milhões em investimentos, totalizando R$ 3.396,0 milhões ao longo de 2025. Desse montante, 83,5% foram destinados à Copel Distribuição, com foco na conclusão do atual ciclo de investimentos, já que a companhia passa por revisão tarifária periódica em junho deste ano.
Com isso, a companhia encerrou dezembro com alavancagem aos 2,7 vezes dívida líquida/Ebitda. A empresa destacou que o indicador permanece em nível confortável e dentro dos parâmetros definidos pela estrutura ótima de capital da companhia.