RIO – O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, afirmou nesta segunda-feira, 17, que a redução da dívida líquida segue como a principal prioridade financeira da companhia e deve permanecer no centro da estratégia enquanto o cenário de juros altos persistir. Segundo ele, a disciplina de alocação de capital continua orientada pela busca de eficiência e fortalecimento do balanço, mas que a companhia avalia continuamente o aumento de proventos aos acionistas,
“Nossa meta histórica situa-se entre 1,5 e 2 vezes. Naturalmente, aguardamos uma estabilização do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), mas nosso foco central para o segundo semestre permanece na redução da dívida líquida”, comentou durante teleconferência de resultados do segundo trimestre, quando a Vibra registrou lucro líquido de R$ 2,352 bilhões.
Pousada acrescentou que, a redução do endividamento confere maior capacidade de alocação de capital. “Caso surjam projetos que ofereçam retornos atrativos aos nossos acionistas, iremos considerá-los. Caso contrário, priorizaremos a distribuição de dividendos e proventos”, disse.
Sobre lubrificantes: ‘Vamos crescer no orgânico, vemos oportunidades no Cone Sul’
Pousada ressaltou que a empresa pretende acelerar o crescimento orgânico do segmento de lubrificantes e vê oportunidades de expansão no Cone Sul. “Tivemos uma evolução significativa do Ebitda de lubrificantes, bem maior do que dois anos atrás e isso traz margens melhores para a companhia também. Estamos reposicionando o negócio de lubrificantes na busca de um crescimento expressivo que a gente acredita ainda ser possível nesse negócio”, detalhou.
Na distribuição, Pousada avaliou que o arrefecimento de tensões geopolíticas no Oriente Médio não deve reorganizar o mercado a ponto de “tirar” quem conquistou espaço comercial em um contexto adverso. O executivo lembrou ainda que, antes do conflito, a empresa chegou a observar níveis de rentabilidade da ordem de R$ 200 por m³ e indicou que vê espaço em um ambiente mais regulado e com maior fiscalização. “A gente acredita que patamares irão além disso”, afirmou.
Pousada explicou que, apesar da melhora estrutural do setor de combustíveis com o combate a irregularidades, parte desses ganhos ainda não apareceu integralmente nos resultados da empresa. “Nosso balanço ainda não captou todos os avanços do fim das irregularidades”, afirmou.
A necessidade de aplicação do conceito de ‘devedor contumaz’ em todo o País
Entre os temas regulatórios, Pousada apontou a monofasia do etanol como uma das principais agendas em andamento e manteve otimismo de que a proposta seja encaminhada ao Congresso ainda em 2026, mas a conclusão do processo é esperada para o primeiro semestre de 2027. “Existe uma agenda que muita gente considerava impossível de andar no nosso país, e ela andou de maneira relevante nos últimos 12, 18 meses”, avaliou.
Pousada reforçou a necessidade de aplicação do conceito de “devedor contumaz” em todo o País e de avanço da solidariedade tributária nos Estados, para evitar assimetrias regulatórias que incentivem distorções competitivas.
‘Encerramos o 2º trimestre mais fortes para o longo prazo’, diz Pousada
O executivo destacou que no segundo trimestre de 2026 a companhia alcançou uma evolução dentro da estratégia de crescimento consistente visando o longo prazo. “Tivemos evolução de margens e market share mesmo com o conflito do Oriente Médio, que bota pressão no mercado interno”, disse durante teleconferência para comentar os resultados do segundo trimestre.
O executivo destacou que a companhia conseguiu diminuir a alavancagem em R$ 2,6 bilhões, atingindo uma alavancagem de 1,3 vez, e que mesmo num ambiente de maior volatilidade. “A geração de caixa vai continuar sendo usada para desalavancar o balanço”, pontuou.
Pousada reiterou que a empresa avançou em todos os segmentos na comparação anual. “Tivemos recorde em novos embandeiramentos de postos, com 230 postos. Vamos continuar focados na expansão dos nossos postos, que vai contribuir para a geração de valor de longo prazo”, exemplificou.
‘Temos marca Petrobras até 2035, temos bastante tempo para mudar’
O CEO da Vibra reforçou que a Vibra tem na marca de postos Petrobras uma prioridade no portfólio da distribuidora. Ele lembrou que o contrato vigente para uso da marca vai até 2029 e prevê mais seis anos para transição de marca (rebranding), estendendo o processo até 2035. Se houver necessidade de descontinuidade, a mudança seria gradual e acompanharia o vencimento dos contratos com a rede de revendedores.
“A partir de 2029 começaremos a retirar a marca (Petrobras) de alguns postos, mas nosso pipeline segue robusto, com foco na consolidação da rede Petrobras. Estamos, também, realizando um saneamento gradual da base, descontinuando operações que não apresentam a rentabilidade ou o alinhamento estratégico desejados”, comentou durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre.
Embora o tema não seja o foco imediato das discussões deste ano, o executivo afirmou que a companhia trabalha em planos de contingência para garantir a continuidade do negócio diante de eventuais mudanças. O executivo ainda reforçou que o crescimento do embandeiramento de novos postos traz “uma estabilidade maior” à companhia.
‘Estamos vendo movimento de migração da bandeira branca para embandeirados’
Pousada reforçou que, apesar da volatilidade de curto prazo, o mercado de distribuição tem passado por um movimento estrutural de avanço no combate a práticas irregulares e de aperfeiçoamento do ambiente regulatório. “Estamos vendo que o setor está melhorando”, disse Teixeira, ao avaliar que essas mudanças elevam o nível de conformidade e tendem a sustentar um novo patamar de rentabilidade.
“Com o combate a irregularidades, vemos oportunidade dos postos de bandeira branca migrar para embandeirar com a Vibra. Os consumidores estão receosos de abastecer em postos sem bandeira. Nosso foco, cada vez mais, em crescer buscando os melhores operadores para a nossa rede de postos Petrobras”, comentou.
O vice-presidente Financeiro de Relações com Investidores, Maurício Teixeira, endossou a leitura de que, com a combinação de maior conformidade no mercado e melhorias regulatórias, o setor deve alcançar “patamares de margem melhores do que no ano passado”, reforçando uma visão mais construtiva para o desempenho operacional adiante.
Um dos exemplos citados de oportunidades está no Estado do Rio de Janeiro, apontado como foco importante do processo de migração para um ambiente mais regularizado. Conforme dados divulgados pelo governo estadual, a arrecadação de impostos subiu 77% após ações voltadas a coibir irregularidades no setor. Para Pousada, o número evidencia o impacto positivo das medidas tanto para a sociedade quanto para as contas públicas.
‘Hoje não estamos nos utilizando de subvenção alguma’
Pousada disse que a Vibra mantém a estratégia de importação – especialmente de diesel – como forma de assegurar o suprimento e atender à demanda dos clientes, garantindo disponibilidade de produtos. Ele destacou ainda que a companhia está focada em uma agenda de longo prazo, com horizonte de cinco a dez anos, evitando decisões guiadas por oscilações de curto prazo.
“Hoje não estamos nos utilizando de subvenção alguma. A Vibra foi a primeira distribuidora a se habilitar, mas decidiu não utilizar o mecanismo até agora por riscos operacionais e de conformidade identificados internamente”, justificou.
“Permanecemos habilitados e monitoramos o cenário caso identifiquemos condições seguras e factíveis para sua operacionalização, sem comprometer a integridade ou a imagem da companhia, poderemos reconsiderar essa decisão”, comentou durante teleconferência de resultados do segundo trimestre.