O avanço da tecnologia e, principalmente, a estruturação de bases de dados são fundamentais para tornar as operadoras de saúde mais eficientes, reduzir custos e antecipar riscos assistenciais, destacaram executivos do setor durante o MV Experience Fórum 2026, no Transamérica Expo Center – QI Tech, em São Paulo.
Durante o evento, o vice-presidente de tecnologia da Hapvida, Daniel Vidotti, afirmou que a tecnologia é indispensável para a evolução da companhia e que a operadora ainda está em uma segunda etapa do processo de integração entre Hapvida e NotreDame Intermédica. Segundo ele, a primeira onda foi a fusão das duas empresas, enquanto a atual fase busca simplificar e padronizar processos e aproveitar melhor as estruturas existentes. “Ainda operamos como duas operadoras dentro do mesmo sistema, mas com processos diferentes”, afirmou.
Vidotti disse que a Hapvida trabalha atualmente em cerca de 30 projetos pontuais relacionados à integração e que ainda existem quatro incorporações a serem concluídas, especialmente na região Sul. A companhia atende entre 7,5 milhões e 8 milhões de beneficiários de saúde, além dos clientes em planos odontológicos. Segundo ele, entre as frentes avaliadas está a personalização do atendimento, incluindo um projeto com a marca NotreDame para testar um modelo de concierge assistencial que, futuramente, poderá ser levado aos demais beneficiários no futuro.
Para o executivo, o uso de tecnologia também deve ser direcionado à prevenção. Ele afirmou que, pelo tamanho da carteira da companhia, pequenas mudanças podem representar valores relevantes e defendeu o uso de dados para identificar os beneficiários com maior risco de desenvolver determinadas doenças e incluí-los antecipadamente em programas preventivos. “Se pensa na vida do ser humano, é onde deveríamos mirar”, disse.
Um dos principais desafios e oportunidades para o setor
Na Seguros Unimed, o diretor-presidente Elton Freitas também apontou a estruturação de dados como um dos principais desafios e oportunidades para o setor. De acordo com ele, a tecnologia pode liberar profissionais para atividades de atendimento ao beneficiário por meio de ferramentas como prontuários, agendamento e reagendamento e inteligência artificial de apoio clínico. Na visão do executivo, a tecnologia, porém, deve atuar como “coadjuvante” de quem está à frente do resultado.
Freitas afirmou que a sustentabilidade das operadoras passa por três pilares: precificação, aceitação de beneficiários e cobertura assistencial. Para ele, o modelo de precificação não pode mais se basear apenas no histórico, diante da velocidade das mudanças no setor e da evolução do chamado rol dinâmico da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Tem de olhar para frente e só consegue fazer isso com algoritmos estimando algo que está por vir”, afirmou.
Na área assistencial, a Seguros Unimed utiliza algoritmos para estratificar a carteira e identificar beneficiários com maior risco, que podem ser direcionados para programas de acompanhamento mais próximo. Segundo Freitas, a estratégia permite melhorar o cuidado e, ao mesmo tempo, produzir efeitos sobre o custo assistencial.
Ele citou o programa Nascer Seguro, que registra NPS de 93%, como exemplo de ação baseada em dados e acompanhamento preventivo. Também afirmou que uma ferramenta de assistência ao preenchimento de prontuários já permitiu economizar cerca de 7,2 mil horas de trabalho da equipe da seguradora. A expectativa é de que esse ganho de eficiência contribua para reduzir custos e aumentar a competitividade.
O uso de IA para ampliar o engajamento dos beneficiários
Freitas também destacou o uso de inteligência artificial para ampliar o engajamento dos beneficiários nos programas da companhia e afirmou que a estruturação de dados permite identificar oportunidades de negócios ao longo da jornada do cliente. “O grande jogo nesse momento é estruturação da base de dados”, disse.
Já o diretor-presidente da Unimed Serra Gaúcha, André Leite, afirmou que empresas que pretendem competir no setor de saúde precisam ter dados estruturados para tomar decisões mais assertivas em um ambiente marcado por judicialização, aumento de custos e desafios de precificação. Para ele, porém, a transformação digital não depende apenas de ferramentas, mas também de uma mudança de mentalidade das equipes.
Leite defendeu uma evolução para modelos cada vez mais preditivos, capazes de antecipar doenças, identificar pacientes que podem precisar de internação, monitorar pessoas em casa e detectar a possibilidade de agravamento de condições crônicas. “O grande diferencial é a gente ter modelo mais preditivo”, afirmou.
O executivo disse que o objetivo de longo prazo seria construir uma estrutura de dados centralizada, reunindo informações capazes de mapear toda a jornada do paciente, desde o domicílio até uma eventual internação. A partir dessa base, seria possível identificar pontos de contato, gargalos e oportunidades de intervenção, além de desenvolver modelos preditivos para apoiar a precificação e identificar, dentro da carteira, pessoas com maior risco de gerar custos elevados.