O Santander detalhou na sexta-feira, 14, os termos da troca de ações, por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA), anunciada no fim de julho, para adquirir a participação dos acionistas minoritários do Santander Brasil. A operação prevê a entrega de 0,2028 Brazilian Depositary Receipt (BDR) ou American Depositary Share (ADS do Santander para cada ação ordinária ou preferencial do banco brasileiro e de 0,4056 BDR ou ADS para cada unit. A expectativa é de concluir a operação no primeiro semestre de 2027.
A relação de troca foi definida com um prêmio inicial de 15% sobre o preço de fechamento da unit do Santander Brasil em 30 de julho, de R$ 25,25, resultando em um valor de referência de R$ 29,04 por unit. Considerando, porém, a cotação do Santander em 12 de agosto, a relação passou a representar cerca de R$ 31,21 por unit – valor 23,6% superior ao preço do Santander Brasil no dia do anúncio.
Segundo o Santander, a operação não representa uma mudança em sua estratégia para o Brasil. O grupo já detém cerca de 90% do Santander Brasil e afirma que a transação tem como objetivo simplificar a estrutura societária e ampliar a integração do negócio brasileiro à plataforma global.
O banco também avalia que a oferta “deve ser neutra” para o índice de capital CET1 e, segundo estimativas baseadas no consenso de mercado, pode gerar impacto positivo de 0,5% no lucro por ação e de 0,6% no valor patrimonial tangível por ação a partir de 2028.
A oferta não está condicionada a um nível mínimo de adesão. Dessa forma, a participação do Santander no capital do banco brasileiro poderá aumentar mesmo que o grupo não adquira toda a fatia atualmente detida pelos minoritários, afirma.
O Santander reconhece, contudo, que uma adesão elevada pode reduzir significativamente o free float e a liquidez das ações do banco no mercado brasileiro, além de afetar sua participação e elegibilidade em determinados índices.
Para o Santander, a operação permite aos acionistas minoritários trocar uma posição concentrada no mercado brasileiro por ações de um grupo financeiro global, com maior liquidez e diversificação geográfica.
O banco ressalta, porém, que não espera economias de custos materiais com a transação. A atratividade financeira, segundo a instituição, decorre principalmente da relação de valuation, do aumento de sua participação no negócio brasileiro e de uma estrutura de capital considerada neutra.
O Santander reforça que a oferta ainda depende de aprovações regulatórias e corporativas, incluindo a aprovação dos acionistas do Santander para o aumento de capital necessário à emissão dos papéis que serão entregues aos acionistas do Santander Brasil.