RIO – O CEO da Motiva, Miguel Setas, disse nesta segunda-feira, 22, que a empresa se mantém “muito construtiva” em relação ao futuro da infraestrutura no Brasil. Ao lembrar que a companhia dobrou o compromisso de investimento em um curto espaço de tempo, o executivo afirmou que a Motiva segue focada em simplificar o portfólio para focar em mobilidade terrestre.
“Se você me perguntar: ‘é impossível chegar a três dígitos em investimento na Motiva?’, (direi que) não é impossível. Temos convicção de como este investimento é estratégico e fundamental para o Brasil”, afirmou. “Há três anos, tínhamos R$ 30 bilhões e compromisso de investimento. Hoje temos R$ 65 bilhões. Continuamos olhando para próximas oportunidades”, disse durante seminário do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio.
Setas lembrou ainda que a Motiva está em um período de simplificação do portfólio, com desinvestimentos e concentração na mobilidade terrestre. “Vendemos aeroportos, estamos fazendo o closing e focando todas as nossas atenções naquilo em que somos especialistas e líderes do setor, a mobilidade terrestre urbana. Portanto, essa é a nossa agenda”, afirmou.
‘Avanço do PL das PPPs no senado é fundamental’
Setas defendeu a necessidade de avanço do Projeto de Lei nº 2.373/2025, aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise no Senado Federal, que institui um novo marco legal para concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). O executivo comentou ainda sobre a autonomia orçamentária das agências reguladoras como um elemento para um mercado saudável.
“O PL está há um ano para ser distribuído e votado no Senado. Para nós, seria, seguramente, um avanço fundamental para conferir estabilidade ao marco regulatório e ao marco legal do país”, disse. “Nós queremos ter agências reguladoras fortes no setor e queremos ter uma regulação de qualidade”, complementou.
No encontro, o executivo celebrou a entrega antecipada da primeira etapa das obras da nova Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra (RJ). Com investimento de R$ 1,5 bilhão, o projeto prevê oito faixas de rolamento – quatro em cada sentido -, acostamentos e 24 novos viadutos, além de duas rampas de escape. As obras em toda a concessão, de 626 km, têm apoio de R$ 10,7 bilhões do BNDES.
“Estamos antecipando em dois anos a entrega da descida e antecipando um ano a subida”, comentou. “Hoje, 40% do balanço da nossa empresa é suportado pelo BNDES”, acrescentou.
Uma cerimônia com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está prevista para esta terça-feira, 23, para marcar a entrega.