No segundo trimestre de 2026, a Movida reportou lucro líquido de R$ 135,6 milhões, alta de 100,7% ante igual período de 2025. Com isso, a companhia ultrapassou o guidance (tendência) estabelecido para o período, que previa lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, e registrou a maior cifra trimestral dos últimos quatro anos.
O montante também ficou cerca de 8,5% acima do primeiro trimestre, quando registrou R$ 124,5 milhões. De acordo com a empresa, essa é a primeira vez em cinco anos que o resultado do segundo trimestre é maior que o anterior, mesmo frente à sazonalidade do setor.
O desempenho foi impulsionado por ganhos de eficiência, aumento de preços e crescimento de volume, segundo o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli. “Não abrimos mão da rentabilidade para crescer, pelo contrário, crescemos com rentabilidade, e o resultado disso foi termos entregue não só o número do lucro e Ebitda recordes, mas também a margem que mostra que a produtividade também foi recorde”, disse o executivo ao Estadão/Broadcast.
Conquista em cenário de juros nas alturas
Moscatelli destaca ainda que o resultado foi possível mesmo em um cenário de taxa de juros alta, o que inibe o consumo. “De quatro anos para cá, a taxa de juros subiu 2 pontos porcentuais e o lucro da empresa, mesmo assim, cresceu. Se a taxa de juros fosse igual, ou seja, 2 pontos porcentuais para baixo do que ela é hoje, o lucro do segundo trimestre já seria 50% maior. Então, de fato, a sensibilidade à taxa de juros é muito grande”, afirma.
Entre abril e junho, o Ebitda da Movida somou R$ 1,686 bilhão, avanço anual de 22,3%, com margem Ebitda de 38,1%, sobre receita total, aumento de 6,7 pontos porcentuais.
A receita líquida consolidada totalizou R$ 3,765 bilhões, crescimento de 2,4% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já o retorno sobre capital investido (ROIC) dos últimos 12 meses ficou em 16,7% no período, alta de 4 pontos porcentuais na mesma base comparativa.
O resultado financeiro líquido totalizou R$ 845,6 milhões negativos no segundo trimestre, valor 21,8% maior frente a igual intervalo de 2025. No encerramento do trimestre, a dívida líquida estava em R$ 17,222 bilhões, enquanto a alavancagem se manteve no mesmo nível, em 2,66 vezes, apenas 0,01 ponto porcentual acima do trimestre passado.
Para Moscatelli, a tendência da alavancagem é cair nos próximos trimestres. “No fim do ano, compra-se mais carros para atender a temporada de verão e carnaval. Esses veículos são pagos no primeiro semestre, o que aumenta a pressão sobre a alavancagem. Depois, o balanço fica mais leve e a desalavancagem acelera no segundo semestre”, explica.
Sobre o endividamento, o CEO da Movida acredita que o custo da dívida está competitivo após um trabalho feito nos últimos três anos, além do cronograma de vencimentos concentrado no longo prazo. “Com a geração de caixa mais forte no segundo semestre, a tendência é de queda de alavancagem e endividamento.”
Confira outros números da companhia
A companhia encerrou junho com frota total de cerca de 286 mil veículos, alta de aproximadamente 9% em relação a igual período do ano passado. A depreciação anualizada por carro ficou em R$ 7,2 mil no segmento de locação (RAC) e em R$ 11 mil na área de terceirização de frotas (GTF), em níveis estáveis.
No segmento RAC, a receita líquida atingiu R$ 1,1 bilhão, crescimento de 30,4% na comparação anual. No GTF, a receita somou R$ 1,150 bilhão, alta de 15,5%.
A tarifa média atingiu R$ 165, alta de 7% ante o segundo trimestre de 2025. A taxa de ocupação subiu 2,1 p.p., para 76,2%, enquanto o volume de diárias cresceu 22% ano contra ano.
No segmento de seminovos, a companhia vendeu 19,414 mil veículos no trimestre, com receita de R$ 1,470 bilhão, queda anual de 17,7%, e margem Ebitda (lucro operacional) de 1,1%, estável na mesma base.