O Daycoval elevou a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,2% para 4,7% ao fim de 2026, com viés de alta, refletindo o impacto direto do choque do petróleo sobre os combustíveis e as surpresas altistas para alimentos, agravadas pela indicação de um El Niño no segundo semestre.
Como resultado, o banco também aumentou sua projeção para a taxa Selic no fim de 2026, de 12% para 13,25%, contemplando a continuidade de cortes ao ritmo gradual de 0,25 ponto porcentual e com viés de pausa caso o conflito no Oriente Médio e a deterioração das expectativas de inflação continuem.
“Sob elevada incerteza externa, choque do petróleo eleva projeção de inflação e deve limitar ciclo de cortes de juros, reduzindo expectativa para o PIB”, resume o Daycoval, em relatório desta quinta-feira. A estimativa para o crescimento do PIB foi reduzida de 1,9% para 1,7% neste ano, sendo determinada por componentes mais cíclicos da atividade, justamente os mais sensíveis ao choque de custos e a uma Selic mais elevada.
2027
De forma semelhante, o banco reduziu ainda a estimativa para o crescimento do PIB em 2027, de 2,0% para 1,5%. A projeção para a Selic terminal também se deteriorou, de 10,50% para 11% em 2027, “incorporando a necessidade de uma política monetária mais restritiva por um período prolongado diante da elevação da inflação esperada”.
A estimativa para o IPCA em 2027 saiu de 3,6% para 3,7%, puxada pela maior inércia no grupo de serviços vinda do IPCA mais alto em 2026. “Os principais riscos ao cenário seguem sendo a desancoragem das expectativas de inflação e a volatilidade cambial em função do cenário eleitoral”, destrincha o Daycoval.
Crédito
Já a projeção de crescimento real das concessões de crédito foi reduzida de 4,1% para 3,7% em 2026 (2,5% em PJ e 4,5% em PF). “O mercado de capitais já desacelera desde fevereiro, e os dados de março mostram perda de tração nos quatro principais segmentos das concessões bancárias”, nota o Daycoval.