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Construção Civil

Tenda: lucro líquido consolidado atinge R$ 104,6 milhões no 4º trimestre de 2025, alta de cinco vezes

A melhora no resultado veio após ampliar os lançamentos e as vendas ao longo dos últimos trimestres, com aumento da receita e diluição de custos

A Tenda, uma das maiores construtoras do Minha Casa, Minha Vida (Foto: Adobe Stock)

A Tenda, uma das maiores construtoras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), teve lucro líquido consolidado de R$ 104,6 milhões no quarto trimestre de 2025. O resultado equivale a cinco vezes o lucro registrado no mesmo período de 2024, de R$ 21,3 milhões.

A melhora no resultado da construtora veio após ampliar os lançamentos e as vendas ao longo dos últimos trimestres, com aumento da receita e diluição de custos, o que levou à melhora das margens.

Esses ganhos vieram da Divisão Tenda (baseada em empreendimentos em concreto), que teve um lucro de R$ 154,9 milhões. A margem bruta ajustada da Tenda foi de 36,2% no trimestre, alta de 4 pontos porcentuais na comparação anual.

A divisão Alea (baseada em estruturas pré-moldadas de madeira) gerou prejuízo de R$ 50,2 milhões. A margem bruta foi negativa em 29,4%. A Alea cresceu demais e teve estouros de orçamentos, o que levou a uma reorganização do negócio, com suspensão temporária de novos projetos.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado e ajustado somou R$ 179,3 milhões no trimestre, avanço de 37,2% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada chegou a 15,2%, baixa de 0,2 pontos porcentuais. O critério ‘ajustado’ exclui juros capitalizados, despesas com planos de ações e minoritários.

A receita líquida consolidada totalizou R$ 1,181 bilhão, nível recorde, e expansão de 38,9%, em função do aumento do número de apartamentos vendidos e também do crescimento do preço médio por unidade.

O grupo lançou 52 empreendimentos em 2025, avaliados em R$ 5,3 bilhões. O preço médio por unidade foi de R$ 229,2 mil, alta de 6% na comparação anual. As vendas líquidas em 2025 atingiram R$ 4,7 bilhões, avanço de 4,8%.

A companhia chegou ao fim de 2025 com um estoque de imóveis de R$ 3,97 bilhões, 21,1% maior em um ano. A maior parte dos apartamentos está na planta ou em obras.

As despesas operacionais (vendas, gerais e administrativas) consolidadas aumentaram 31,3%, totalizando R$ 167 milhões.

A companhia reportou R$ 32,1 milhões na sua linha de provisão para devedores duvidosos, o dobro do ano anterior, justificado pelo crescimento dos negócios e avanço das entregas de unidades – que aumentaram o volume da de financiamentos pós-chaves.

O grupo reportou geração de caixa operacional de R$ 25,6 milhões. A Divisão Tenda contribuiu com geração de R$ 76,2 milhões, e a Alea, queima de R$ 19,6 milhões – mas que já foi uma queima menor do que nos trimestres anteriores.

A dívida líquida foi a R$ 266 milhões no quarto trimestre, alta de 32,3% ante o terceiro trimestre.

Resultado anual

No acumulado de 2025, o lucro líquido consolidado da Tenda foi de R$ 505,7 milhões, quase cinco vezes em relação ao mesmo período de 2024, e um recorde para o grupo.

O Ebitda ajustado consolidado em 2025 somou R$ 686,1 milhões. A receita líquida em 2025 totalizou R$ 3,284 bilhões.

Tenda vê cenário positivo no MCMV

A construtora quer aproveitar o momento positivo do programa habitacional para “crescer o máximo possível” neste ano, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores, Luiz Mauricio de Garcia.

Nos primeiros dois meses deste ano, a empresa já registrou recorde de vendas brutas, que totalizaram R$ 1 bilhão, um avanço de 27% em relação ao mesmo período do ano passado – fruto das condições favoráveis de contratação dentro do MCMV.

“O cenário para o setor no Minha Casa Minha Vida está muito bom. Vamos tentar, mais uma vez, lançar mais que o previsto. A meta é seguir crescendo o máximo possível”, disse Garcia, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

O grupo lançou 52 empreendimentos em 2025, avaliados em R$ 5,3 bilhões. O preço médio por unidade foi de R$ 229,2 mil, alta de 6% na comparação anual. As vendas líquidas em 2025 atingiram R$ 4,7 bilhões, avanço de 4,8%.

O foco de crescimento será a Divisão Tenda (baseada em empreendimentos em concreto). A marca tem diversificado sua atuação entre as faixas 1, 2 e 3 do MCMV. No passado, era focada nas faixas 1 e 2, para o público de menor renda. Já nos últimos meses, vêm lançando projetos com varanda, piscina e metragem maior, pensando também no público da faixa 3.

“A ideia é termos flexibilidade para atuar nas faixas mais favoráveis, onde tem mais demanda”, explicou Garcia. Ao longo do ano, a faixa 1 e 2 devem responder por 40% dos lançamentos, cada, e a 3, 20%.

A Tenda não pretende atuar de modo significativo na faixa 4, que abrange imóveis de valor mais alto, para consumidores de maior renda. Segundo Garcia, isso exigiria mudar o método de construção e o modelo dos apartamentos, que são padronizados. “Não queremos abrir mão da nossa metodologia”.

Com a perspectiva de novos ajustes nas faixas de renda e teto de preços sinalizada pelo governo, a Tenda espera um aumento relevante no poder aquisitivo dos consumidores. Com isso, espera essa flexibilidade para lançar e vender mais. Segundo Garcia, subir preço não é prioridade.

Já para a Divisão Alea (baseada em estruturas pré-moldadas de madeira), a prioridade será estabilizar as operações e voltar a gerar caixa. A Alea cresceu demais e teve estouros de orçamentos no ano passado, o que levou a uma reorganização do negócio, com suspensão temporária de novos projetos. No pico, ela chegou a ter 33 canteiros abertos na metade de 2025. Esse número hoje está em 23 e deve ir para 16 até o fim do ano.

Garcia não descarta notícias de novos estouros de custos em Alea, mas pondera que esse risco é baixo. Além disso, já há provisões para esse tipo de eventualidades.

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