Menu

Energia Elétrica

Migração da Axia ao Novo Mercado é sonho antigo prestes a se concretizar

A reação do mercado ao anúncio dá pistas de que haverá aprovação: as ações ON encerraram a quinta, 19, em alta de 4,44%; e as ações PNB, de 6,94%

Analistas de mercado destacaram a melhoria significativa da governança corporativa que a adesão da Axia ao Novo Mercado proporcionará, aliada ao aumento da liquidez (Foto: Axia/Divulgação)

A sonhada migração da Axia Energia (antiga Eletrobras) para o Novo Mercado da B3, vislumbrada desde que a companhia foi privatizada, em 2022, deve se tornar realidade em 2026. A companhia convocou seus acionistas para assembleia a ser realizada em 1º de abril para deliberar sobre a proposta de acesso ao segmento especial de listagem da Bolsa brasileira, destinado a companhias que adotam os mais elevados padrões de governança corporativa. E a reação do mercado ao anúncio dá pistas de que haverá aprovação: as ações ON da Axia encerraram esta quinta-feira, 19, em alta de 4,44%, enquanto as ações PNB subiram 6,94%.

Na prática, a migração envolverá, se aprovada, a conversão de ações preferenciais de classe “A1” (PNA1) e preferenciais de classe “B1” (PNB1) em ações ordinárias (ON), na proporção de 1,1 ação ON para cada 1 ação PNA1 ou PNB1, respeitando o prêmio pago atualmente aos preferencialistas, de dividendos no mínimo 10% superiores aos pagos aos ordinaristas.

A justificativa usada pela companhia é a de que a mudança permitiria equilibrar os interesses econômicos e políticos dos acionistas, simplificando a base acionária, gerando maior liquidez e potencialmente atraindo novos investidores.

Analistas de mercado que acompanham a empresa destacaram a melhoria significativa da governança corporativa que a adesão ao Novo Mercado proporcionará, aliada ao aumento da liquidez.

“Acreditamos que a relação de conversão de 1,1x é justa, pois preserva o prêmio de dividendo estatutário de 10% concedido às ações preferenciais no estatuto, embora a relação atual seja de 1,06x”, afirmaram em relatório os analistas do Safra, Daniel Travitzky, Carolina Carneiro e Ricardo Bello.

A equipe de análise do Itaú BBA também classificou a razão de troca proposta como justa, ao ponderar a limitada diluição do acionista ordinário, da ordem de 1%, e benefícios como a simplificação da estrutura acionária, o aumento da liquidez, a maior flexibilidade na remuneração ao acionista, e a retirada de restrições que afastavam um grupo relevante de investidores estrangeiros. Nas contas dos analistas Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Victor Cunha, com a conclusão da migração, a expectativa é de um aumento de aproximadamente 9% no Volume Médio Diário de Negociação (ADTV, na sigla em inglês) frente o atual patamar.

A companhia já recebeu autorização da B3 para tratamento excepcional das ações PNA e poderá realizar migração ao Novo Mercado mesmo se não tiver êxito na assembleia especial de acionistas titulares dessas ações, que respondem por 0,005% do total das ações de emissão da Axia.

Mudança de cenário

A razão de troca indicada na proposta apresentada é a mesma que havia sido sinalizada quase quatro anos atrás, em outubro de 2022, quando poucos meses após ser privatizada a companhia chegou a contratar assessores externos para ajudar a estruturar a migração para o Novo Mercado, mas teve de suspender o projeto cerca de um mês depois. O argumento, na ocasião, foi o cenário macroeconômico e as condições do mercado.

Agora a empresa vive um outro momento, e o entendimento da própria Axia é que a atual conjuntura do setor elétrico e do mercado de capitais, aliada ao avanço da governança da gestão da empresa, proporcionam uma oportunidade para a migração.

De fato, desde 2022 a companhia avançou significativamente na redução de seus passivos e no aumento da eficiência operacional. Adicionalmente, simplificou a estrutura societária e acelerou investimentos na modernização e expansão de seu negócios. O atual cenário de preços de energia mais elevados também vem favorecendo a empresa, que tem volumes significativos de energia descontratada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe:

Veja mais notícias de Empresas