A expansão do Mercado Livre no segmento farmacêutico deve contribuir para aumentar a recorrência de compras e a retenção de usuários, destacam os analistas do Itaú BBA Rodrigo Gastim, Vinicius Pretto e Victor Rogatis.
Em relatório, o BBA estima que os medicamentos de venda livre (OTC) e os de prescrição possam representar, juntos, cerca de 5,3% do volume bruto de mercadorias transacionadas (GMV, da sigla em inglês) da companhia no Brasil em 2030. Desse total, 2,1% viriam de medicamentos sem a necessidade de prescrição médica e 3,2% de medicamentos de prescrição.
O banco destaca como principal frente de expansão o modelo de marketplace, conhecido como 3P. A operação começa em outubro na Grande São Paulo, com 20 redes de farmácias parceiras, e tem como meta alcançar cobertura completa da região metropolitana até o fim do ano. O Itaú BBA pondera que o ritmo de expansão dependerá da evolução das regras da Anvisa, que ainda não detalhou aspectos da operação, incluindo requisitos de armazenamento e mecanismos comerciais.
O relatório também aponta impactos potenciais sobre o varejo farmacêutico. Na avaliação dos analistas, farmácias independentes de menor escala estão mais expostas à expansão do modelo, enquanto grandes redes podem enfrentar maior competição e necessidade de investimentos em margem. O Itaú BBA estima ainda aumento da penetração online de medicamentos e avalia que a retenção associada aos tratamentos crônicos pode ampliar o uso da plataforma e favorecer vendas cruzadas para outras categorias e para o Mercado Pago.