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Combustíveis

Eneva acerta permuta com a Diamante para entregar a Itaqui e passar a deter 100% da PPTM

Itaú BBA avalia que a saída de Itaqui e manutenção de 100% do Hub Ceará é 'marco' aguardado para a Eneva

O Bradesco BBI atuou como assessor financeiro exclusivo (Foto: Adobe Stock)

A Eneva fechou com a Diamante Geração de Energia um contrato de permuta de participações societárias pelo qual transferirá à Diamante 100% da Itaqui Geração de Energia, enquanto receberá 50% da Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM), passando a deter a totalidade do capital social da PPTM. A operação inclui o pagamento, pela Diamante, de torna em dinheiro de R$ 400 milhões, corrigida pro rata desde 30 de junho de 2026 e sujeita a ajustes previstos em contrato, segundo fato relevante divulgado nesta quarta-feira.

O contrato prevê ainda uma parcela contingente adicional de até R$ 467 milhões, também corrigida, condicionada a eventual antecipação da data de início do período de suprimento de energia previsto no contrato de reserva de capacidade do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026), da Aneel.

A Itaqui tem como principal ativo operacional a UTE Porto do Itaqui, termelétrica a carvão de 360 MW, com contratos no mercado regulado vigentes até 21 de dezembro de 2027. A usina também venceu o LRCAP 2026 no produto 2031, por 10 anos, a partir de 1º de agosto de 2031, segundo a Eneva. Já a PPTM será parte da implementação do terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo Industrial do Pecém, com capacidade de escoamento de até 14 milhões de m³/dia.

A Eneva informou ainda que foi notificada pela Diamante de que a empresa não tem interesse em exercer a opção de compra de participações equivalentes a 30% das SPEs detentoras dos projetos de geração do Hub Ceará, e que, assim, a opção foi cancelada sem exercício.

A conclusão das operações está sujeita ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Bradesco BBI atuou como assessor financeiro exclusivo.

Qual foi a avaliação da Itaú BBA sobre o negócio

O Itaú BBA avaliou como um “marco” aguardado pelo mercado o anúncio da Eneva envolvendo a saída da térmica a carvão de Itaqui e a decisão da Diamante Energia de não exercer a opção de compra de 30% do Hub Ceará. Para o banco, a transação é positiva em valor presente (NPV) e reforça a capacidade da empresa de executar uma estratégia sólida de alocação de capital.

Segundo os analistas Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez, o acordo tem dois eixos. O primeiro é uma troca de ativos: a Eneva entrega sua participação de 100% em Itaqui e recebe a participação da Diamante de 50% na PPTM, operadora da infraestrutura de carvão do Pecém, além de um pagamento estimado em cerca de R$ 400 milhões à Eneva, sujeito a ajustes monetários (data-base de 30 de junho de 2026). O contrato prevê ainda um earn-out potencial de R$ 467 milhões, também corrigido, condicionado à eventual antecipação da data de início de um contrato ligado ao ativo.

O segundo eixo, considerado central pelo Itaú BBA, é a notificação da Diamante de que não tem interesse em executar a opção que lhe daria direito a adquirir 30% do capital total e votante dos projetos de geração do Hub Ceará. Na leitura do banco, o movimento “trava” o controle e reduz uma fonte relevante de incerteza para investidores, ao manter a Eneva com 100% do complexo.

O Itaú BBA estima que, tomando como referência o preço-alvo proporcional anterior ao anúncio, o NPV total da operação é de R$ 1,488 bilhão, desconsiderando o earn-out, o que equivale a cerca de R$ 0,80 por ação.

O banco reiterou recomendação outperform (equivalente à compra) para a Eneva e manteve o preço-alvo de R$ 32,70 para o fim de 2026, o que implica potencial de valorização de 23,3% ante o fechamento de terça-feira, 1º.

 

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