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Saneamento

Iguá está mais criteriosa na avaliação de novos leilões, diz CEO

A Iguá Saneamento acompanha as condições do mercado para uma eventual oferta pública inicial de ações

A Iguá Saneamento está mais criteriosa na avaliação de novos leilões diante do custo elevado de capital, afirmou o presidente da companhia, Renê Pinto da Silva, em entrevista aos jornalistas durante o Iguá Day 2026.

Segundo o executivo, ativos que atendam mais de 200 mil habitantes tendem a fazer mais sentido para a estratégia da empresa. A proximidade com regiões onde a Iguá já atua também é considerada, pela possibilidade de capturar sinergias geográficas.

Já o diretor financeiro, João Luiz Lopes, afirmou que a Iguá acompanha os novos projetos do setor, mas também concentra esforços na integração da concessão de Sergipe, iniciada em maio de 2025.

“Estamos em um momento de maior seletividade do que em outros períodos, mas certamente avaliaremos as oportunidades”, afirmou.

O leilão de saneamento de Rondônia está marcado para 29 de setembro, na B3, e prevê a concessão por 35 anos dos serviços de água e esgoto em 40 municípios, incluindo Porto Velho. O contrato é estimado em R$ 8,47 bilhões, com investimentos previstos de R$ 4,22 bilhões.

Questionados se a maior seletividade indicava uma possível ausência da Iguá no certame, os executivos evitaram antecipar a estratégia da companhia e afirmaram que ainda não há decisão sobre a apresentação de uma proposta.

Mercado monitorado para eventual IPO ou novo investidor

A Iguá Saneamento acompanha as condições do mercado para uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ou a entrada de um novo investidor, afirmou Lopes.

A Iguá já é uma companhia aberta, registrada na categoria A da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e acessa o mercado de capitais por meio de emissões de dívida. Suas ações, porém, não são negociadas em Bolsa.

“O acesso ao mercado via IPO ou via um novo investidor é algo que vamos acompanhar sempre de perto por essa demanda de capital”, disse Lopes. Segundo ele, o setor de saneamento ainda exigirá investimentos elevados para ampliar os serviços no País.

O CFO ressaltou, porém, que a Iguá não precisa de novo capital para executar os projetos atuais. Os aportes já realizados pelos acionistas, combinados com os financiamentos de longo prazo, são suficientes para sustentar os investimentos previstos no portfólio.

Em maio, CPP Investments, AIMCo e BNDESPar fizeram um aporte de R$ 700 milhões na companhia, de forma proporcional às respectivas participações e sem alteração da composição societária.

Sergipe é único projeto do portfólio que ainda precisa de financiamento estrutural

A concessão de Sergipe é o único projeto do portfólio da Iguá Saneamento que ainda precisa de uma estrutura definitiva de financiamento de longo prazo, afirmou Lopes.

Segundo o executivo, operações como Cuiabá e Rio de Janeiro já contam com financiamentos de longo prazo, cronogramas de amortização adequados à geração de caixa e taxas consideradas compatíveis com os projetos.

Em Sergipe, a companhia busca combinar diferentes fontes de recursos para reduzir o custo do financiamento.

Em julho, a concessionária assinou um contrato de R$ 770 milhões com o Banco do Nordeste, com prazo de 24 anos e remuneração equivalente a IPCA mais 3,32% ao ano. A empresa também emitiu R$ 1,04 bilhão em debêntures adquiridas pelo BID Invest.

A Iguá ainda tem um empréstimo-ponte de R$ 2,65 bilhões relacionado à concessão, com vencimento em junho de 2029. Lopes afirmou que o prazo dá flexibilidade para a companhia estruturar o financiamento definitivo sem depender das condições atuais do mercado.

“Isso cria para uma janela para não fiquemos pressionados por um momento específico do mercado, mas possa encontrar o melhor momento para fazer os financiamentos de longo prazo”, disse.

O CFO reconheceu que o atual ciclo de juros e os prêmios exigidos pelos investidores tornaram o financiamento mais desafiador. Para ele, a estratégia da Iguá é priorizar linhas destinadas ao setor de saneamento que ofereçam custos mais baixos.

Mais de R$ 6 BI em investimento em Sergipe até 2033

A Iguá Saneamento prevê investir mais de R$ 6 bilhões em Sergipe até 2033, afirmou a diretora de operações (COO) da companhia, Paula Violante. A empresa iniciou a operação no Estado em maio de 2025, por meio de uma concessão com prazo de 35 anos que abrange 74 municípios.

Nos primeiros 15 meses, a empresa investiu R$ 430 milhões e avançou na estabilização do sistema de abastecimento. Segundo a executiva, quase 50 quilômetros de novas redes, 64 quilômetros de adutoras e 14 quilômetros de redes coletoras de esgoto já foram entregues.

A Iguá mantém ainda mais de 50 reservatórios e 70 quilômetros de adutoras em execução no Estado. Os projetos buscam ampliar a regularidade do fornecimento de água e preparar a expansão da cobertura de esgoto, com foco nas metas de universalização previstas para 2033.

A expansão em Sergipe tem sido financiada por diferentes fontes. Em maio, o BID Invest adquiriu R$ 1,04 bilhão em debêntures emitidas pela concessionária, com prazo de 20 anos. Em julho, a Iguá Sergipe assinou um contrato de financiamento de R$ 770 milhões com o Banco do Nordeste, com prazo de 24 anos.

Violante afirmou que a Iguá já economizou aproximadamente R$ 100 milhões com o mercado livre de energia e a geração distribuída. Em Sergipe, todas as unidades que podiam passar pelo processo já foram migradas.

A diretora disse ainda que cerca de 98% da energia consumida pela companhia é carbono neutro. A Iguá também investe em automação, inteligência artificial e hidrômetros inteligentes para reduzir perdas e localizar vazamentos.

No consolidado, a Iguá investiu R$ 253,1 milhões no segundo trimestre, aumento de 42% ante igual período de 2025. A receita líquida ajustada cresceu 28,4%, para R$ 815,4 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 37,9%, para R$ 343,5 milhões.

A executiva ainda destacou o projeto de recuperação do Complexo Lagunar da Barra e de Jacarepaguá, no Rio. A Iguá investe R$ 250 milhões na dragagem de lagoas e canais da região.

Até junho, 1,9 milhão de metros cúbicos de sedimentos haviam sido remanejados e 83 mil mudas, plantadas. O projeto prevê mais de 240 mil mudas nativas e três novas áreas de manguezal.

Rio, Sergipe e Cuiabá concentram cerca de 90% do portfólio

As operações do Rio de Janeiro, de Sergipe e de Cuiabá representam, juntas, cerca de 90% do portfólio da Iguá Saneamento, afirmou Lopes. O Rio de Janeiro responde por 45%, Sergipe por 29% e Cuiabá (MT) por 15%.

Segundo o executivo, a Iguá simplificou o portfólio após assumir as concessões do Rio e de Sergipe, com a venda de operações menores para concentrar recursos nos ativos com maior potencial de geração de valor.

Desde 2020, o número de economias atendidas pela companhia cresceu a uma taxa média anual de cerca de 30%, enquanto o volume faturado avançou 30,6% ao ano. A receita e o Ebitda apresentaram expansão média anual de 45% e 47%, respectivamente.

Lopes afirmou que a entrada de Sergipe, ainda com margem menor, limitou a expansão da rentabilidade consolidada. Excluída a nova concessão, porém, a receita cresceu, em média, 36,8% ao ano, enquanto o Ebitda avançou 42%.

A operação fluminense alcançou margem Ebitda de 59%, segundo o CFO. No primeiro semestre de 2026, a receita de água cresceu perto de 16%, a de esgoto avançou mais de 4% e o Ebitda aumentou 19% ante igual período de 2025.

A concessão apresenta concentração geográfica e participação relevante de condomínios, hotéis e shopping centers na receita. Para o executivo, o perfil dos clientes, localizados em uma região com renda acima da média, aumenta a resiliência financeira do projeto.

A Iguá Rio já conta com uma estrutura definitiva de capital, com R$ 7,5 bilhões em financiamentos de longo prazo. Os recursos incluem dívidas de mercado e linhas voltadas ao saneamento, com prazos que chegam a 29 anos.

Em Sergipe, a prioridade do primeiro ano foi enfrentar os problemas de intermitência no abastecimento. A companhia realizou investimentos em reservatórios, redes de distribuição e gestão do sistema para ampliar a disponibilidade de água.

“Começamos com uma fase de planejamento, executando investimentos pontuais, e agora começa a tracionar”, afirmou Lopes. A receita líquida da operação passou de cerca de R$ 162 milhões no primeiro trimestre para aproximadamente R$ 235 milhões no segundo.

Os acionistas já aportaram R$ 1,4 bilhão no projeto. A Iguá também contratou um empréstimo-ponte de R$ 2,65 bilhões, com vencimento em 2029, e agora estrutura financiamentos de longo prazo para substituí-lo e bancar os investimentos da concessão.

Entre as captações já realizadas estão R$ 1,04 bilhão em debêntures adquiridas pelo BID Invest, com prazo de 20 anos, e um financiamento de R$ 770 milhões contratado com o Banco do Nordeste. A companhia também mantém discussões com bancos públicos, organismos multilaterais e investidores do mercado de capitais.

Já a operação de Cuiabá, mais madura, encerrou 2023 com cobertura de 100% no abastecimento de água e de 94% em esgoto. Segundo Lopes, a concessão apresenta crescimento vegetativo e resultados mais estáveis.

R$ 5,8 bi em aportes dos acionistas desde 2018

Os acionistas da Iguá Saneamento investiram R$ 5,8 bilhões na companhia desde 2018, afirmou o presidente, René Pinto da Silva.

Segundo o executivo, o volume demonstra a capacidade financeira dos investidores e o apoio à estratégia de crescimento da empresa.

“A quantidade de capital investido mostra não só a força dos acionistas, mas também o entendimento de que a Iguá está preparada para suportar esse investimento e gerar valor no setor de saneamento”, disse.

A base acionária da Iguá é formada pelos fundos canadenses CPP Investments e AIMCo e pela BNDESPar. Em maio deste ano, os três acionistas aportaram proporcionalmente um aumento de capital de R$ 700 milhões, sem alteração das participações na companhia.

Os recursos reforçaram a estrutura financeira da Iguá em meio ao ciclo de investimentos e à maturação das concessões do Rio de Janeiro e de Sergipe e da parceria público-privada (PPP) de esgoto no oeste do Paraná.

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