A Even deve realizar lançamentos com um valor geral de vendas (VGV) total na ordem de R$ 2 bilhões neste ano, estimou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Marcelo Dzik. Se confirmado, isso representará queda de 20% na comparação com o ano passado.
“Temos um landbank (estoque de terrenos) para fazer mais do que R$ 2 bilhões em lançamentos, mas, dado o cenário desafiador do mercado, devemos ficar em torno disso”, afirmou Dzik, durante teleconferência com investidores e analistas.
O executivo mencionou que o mercado está se ajustando a uma velocidade de vendas menor neste ano. Como resultado, ele observou que houve mais de 50% de redução nos lançamentos de imóveis acima de R$ 2 milhões – nicho de atuação da Even.
Neste semestre, a Even prevê dois lançamentos de alto padrão na capital paulista, sendo um na República do Líbano e outro na vizinhança no Esporte Clube Pinheiros.
O presidente da Even, Márcio Moraes, disse que é possível sentir, neste ano, uma competição menor para a compra de terrenos em áreas nobres de São Paulo, o que indica tendência de uma redução na oferta de projetos desse nível mais adiante. “Para o próximo ano, acreditamos que a competição nos lançamentos deve diminuir. O mercado está se ajustando ao tamanho da demanda”, avaliou.
Moraes destacou que, apesar das adversidades da economia brasileira, a incorporadora está bem posicionada. Ele citou as equipes experientes de engenharia para manter as entregas nos prazos; a carteira de recebíveis de vendas de imóveis corrigida pela inflação e acima dos custos previstos com as obras; e uma estrutura de capital confortável, com R$ 800 milhões em caixa e alavancagem de 30%. “Nossos resultados financeiros permanecem consistentes e em evolução”, frisou Moraes.
“Conseguiremos enfrentar os desafios e aproveitar oportunidades”. Como exemplo disso, citou a compra de quatro terrenos nos bairros de Jardins e Pinheiros – que permitirão lançamentos de projetos futuros avaliados em R$ 1,3 bilhão em VGV – e a compra de um prédio na Vila Nova Conceição que será demolido para dar lugar um novo residencial com VGV estimado em R$ 225 milhões. Os valores de VGV consideram a partição da Even nos projetos, feitos em parcerias.
O diretor financeiro acrescentou que a companhia deve fechar o ano com uma queima de caixa na ordem de R$ 200 milhões. Para o próximo ano, o fluxo de caixa também deve representar uma queima, mas os valores devem oscilar de acordo com projetos e oportunidades no radar, disse.
Mercado mais desafiador levou à redução no volume de lançamentos
A Even decidiu frear os lançamentos devido à percepção de que o mercado imobiliário ficou mais desafiador ao longo deste ano – com a manutenção dos juros em um patamar elevado e muitas oscilações nos custos de insumos por conta dos conflitos no exterior.
“Observamos o mercado mais desafiador e optamos por reduzir o volume de lançamentos”, afirmou o presidente da companhia, Márcio Moraes, durante teleconferência com investidores e analistas. “O ambiente internacional ainda gera incertezas sobre os custos de insumos”.
A Even lançou apenas dois empreendimentos no primeiro semestre. Juntos, eles têm um valor geral de vendas (VGV) de R$ 281 milhões (parte Even), uma queda de 60% em relação ao VGV do mesmo período do ano passado.
Um dos lançamentos foi o Renato 410, apresentado como um residencial de alto luxo, no Itaim, em São Paulo. O outro foi o Parque Piedade, dentro do Minha Casa Minha Vida, no Rio de Janeiro. Este projeto será feito em parceria com a Cury e que representa uma etapa remanescente da operação no Rio de Janeiro.
Nos últimos anos, a Even virou a chave, passando a concentrar seus negócios no mercado imobiliário de alto padrão.
Moraes comentou que a companhia tinha um outro lançamento em vista, mas que foi prorrogado. “Temos visto mais visitas interessadas na aquisição, mas mais demora na tomada de decisão”, apontou. O processo de visita, negociação e assinatura de contrato está levando em torno de 90 dias, em média. “Isso é longo para o que tínhamos de padrão no ano passado”.
O presidente da Even indicou que o ambiente de juros altos da economia brasileira está pesando sobre a velocidade das vendas. “A intenção de compra ainda continua forte, mas a decisão está muito mais focada em como será o Brasil em 2027 e a taxa de juros lá. Aí, o consumidor pensa se é melhor deixar o dinheiro numa aplicação financeira ou se é melhor investir no sonho do imóvel próprio. Estas são as contas do mercado”.
Moraes disse que a estratégia para vender os estoques de imóveis prontos se baseia, principalmente, na realização de eventos para atrair o público de alta renda e exibir os apartamentos do portfólio. Já a oferta de descontos tem sido ocasional, segundo ele.
Já no caso dos empreendimentos ainda em fase de construção, a Even não está reduzindo preços, porque entende que os níveis de comercialização estão adequados considerando o tempo restante de obras até a conclusão. Em 2026, por exemplo, 80% das apartamentos que serão entregues já estão vendidos. E para 2027, são 56% vendidos. “Temos tempo para manter preço e margens”, frisou Moraes.