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Farmacêutico e Higiene

MedQuímica compra da Sanofi direitos para produzir e vender o medicamento Plasil

Venda do Plasil ocorre em um contexto de revisão de portfólio da Sanofi, que vem reestruturando suas operações para concentrar investimentos em medicamentos inovadores, terapias biológicas e vacinas de maior valor agregado

Controlada pela Lupin desde 2015, a MedQuímica foi adquirida para servir como plataforma de expansão do grupo no quinto maior mercado farmacêutico do mundo. (Foto: Divulgação)

A MedQuímica, subsidiária brasileira da farmacêutica indiana Lupin, comprou os direitos de produzir e vender no mercado brasileiro o medicamento Plasil, que antes pertencia à francesa Sanofi. O valor da aquisição não foi revelado, mas a Broadcast apurou que os múltiplos são de aproximadamente dois anos de venda do remédio, que gera aproximadamente R$ 30 milhões anuais e deverá contribuir para um crescimento entre 5% e 8% no faturamento da companhia.

De acordo com o diretor-presidente da MedQuímica, Alexandre França, a incorporação de medicamentos bem posicionados no mercado brasileiro faz parte da estratégia adotada pelo grupo desde 2021, de ampliar sua presença no País ao combinar o fortalecimento do portfólio de genéricos com a expansão em medicamentos de marca consolidada e especialidades. Por isso, a integração do medicamento ao portfólio fortalece a reputação da MedQuímica e melhora a eficiência operacional, uma vez que o Plasil é uma marca consolidada no mercado brasileiro, com décadas de presença e demanda estável.

Segundo França, além da previsibilidade de receita proporcionada por marcas maduras, a estratégia também aumenta a eficiência industrial. Isso porque, ao internalizar a produção desses medicamentos na fábrica de Juiz de Fora (MG), a companhia dilui os custos fixos da operação entre um número maior de produtos, reduzindo o custo unitário de fabricação de todo o portfólio. “Quanto mais produtos trazemos para a fábrica, maior é a diluição dos custos fixos, beneficiando todo o portfólio”, afirmou.

A venda do Plasil ocorre em um contexto de revisão de portfólio da Sanofi, que vem reestruturando suas operações para concentrar investimentos em medicamentos inovadores, terapias biológicas e vacinas de maior valor agregado. No Brasil, esse movimento já havia se traduzido na venda da Medley para a EMS, anunciada neste ano por R$ 3,2 bilhões. Na avaliação de França, esse reposicionamento das grandes farmacêuticas abre espaço para empresas como a MedQuímica adquirirem marcas maduras, com demanda consolidada e geração imediata de receita.

O executivo explicou que a mudança de estratégia ocorreu em 2021, quando a companhia concluiu que o mercado brasileiro de genéricos havia atingido um novo estágio de maturidade. Segundo ele, o forte desenvolvimento desse segmento foi impulsionado principalmente pelas empresas nacionais, que ampliaram a concorrência ao desenvolver cópias de qualidade, tornando o ambiente mais competitivo. Diante desse cenário, a MedQuímica passou a reduzir sua dependência dos genéricos e a investir em medicamentos isentos de prescrição (MIPs), especialidades e produtos maduros, que oferecem demanda mais estável e previsibilidade de vendas. Como parte desse movimento, entre 2021 e 2022, a empresa adquiriu cinco medicamentos da Bausch Health, incluindo um tratamento para a doença rara de Wilson.

França afirmou que o Plasil representa um dos principais marcos dessa estratégia por ser uma marca presente no mercado brasileiro há mais de quatro décadas, com eficácia e segurança reconhecidas. Inicialmente, a MedQuímica comercializará os estoques remanescentes produzidos pela Sanofi e, posteriormente, passará a fabricar o medicamento em sua unidade de Juiz de Fora.

Outro vetor importante de crescimento foi o lançamento do genérico nacional da dapagliflozina, cuja patente expirou no ano passado. A MedQuímica afirma ter sido a primeira empresa a obter o registro na Anvisa para produzir o medicamento no Brasil. Indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, o produto praticamente dobrou o tamanho da operação brasileira da companhia, segundo França, e reforça a estratégia de ampliar o acesso a terapias modernas por meio da produção nacional.

Controlada pela Lupin desde 2015, a MedQuímica foi adquirida para servir como plataforma de expansão do grupo no quinto maior mercado farmacêutico do mundo. A empresa encerrou seu último ano fiscal, entre abril de 2025 e março de 2026, com faturamento superior a R$ 400 milhões e projeta alcançar cerca de R$ 500 milhões neste exercício, impulsionada pelo desempenho da dapagliflozina e pela incorporação do Plasil ao portfólio. A companhia produz seus medicamentos em Juiz de Fora e atua nos segmentos de genéricos, medicamentos isentos de prescrição, hospitalares, suplementos alimentares e genéricos de marca.

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