O Itaú BBA afirmou que o mercado global de esportes e mídia passa por uma mudança estrutural, com o streaming assumindo papel central na distribuição e na monetização de conteúdo ao vivo. Em relatório temático assinado por Maria Clara Infantozzi e Stephano Gabriel, o banco diz que a maioria das plataformas de streaming tem um modelo de receita baseado em anúncios no centro da estratégia e aponta que a migração da TV linear para o streaming tem elevado a disputa por direitos de transmissão.
O relatório foi elaborado com base em discussões do Sports Summit do banco em Nova York. O Itaú BBA destaca que a CazéTV/LiveMode é o único canal brasileiro a transmitir os 104 jogos do torneio.
Segundo o Itaú BBA, o modelo com publicidade ganhou escala depois que a Netflix anunciou planos com anúncios em 2022, embora a Hulu já oferecesse assinatura subsidiada por publicidade desde 2009. O banco estima que o mercado de direitos de mídia esportiva movimenta US$ 58 bilhões e está mudando rapidamente da TV linear para o streaming e outros formatos. “O streaming já representa pelo menos 20% dos direitos esportivos no mundo”, afirma o relatório.
O time do Itaú BBA diz que, desde 2022, houve aceleração da tendência e um fluxo relevante de investimentos para clubes e para o ecossistema ao redor, incluindo direitos de mídia, produtos licenciados e gestão de talentos. O banco afirma que renovações contratuais com grandes ligas passaram a ocorrer com alta superior a 100% nos pagamentos anuais, em acordos de pelo menos US$ 1 bilhão por ano.
‘A competição levou a lances por direitos a níveis recordes’
O relatório também argumenta que, no esporte, existe uma diferença importante em relação a outros tipos de conteúdo: eventos ao vivo são escassos por natureza e difíceis de replicar, o que reforçaria o valor de ativos de mídia esportiva em um ambiente de avanço de inteligência artificial generativa. “A competição levou a lances por direitos a níveis recordes”, dizem os analistas.
Na visão do banco, Netflix e YouTube aparecem como players mais disciplinados e formadores de tendência, e a mudança seria mais do que distribuição, já que busca ampliar o mercado endereçável e criar vantagens defensáveis de longo prazo.
No Brasil, o Itaú BBA afirma que o mercado de publicidade é cada vez mais digital e que esportes ao vivo ficam no cruzamento entre escala de audiência, engajamento e novos formatos de monetização.
O banco estima que o digital representou cerca de 56% do investimento publicitário em 2025 e pode chegar a 67% em 2030. A projeção é de crescimento de gastos com anúncios digitais a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 12,9% até 2030, acima do avanço de 2,3% esperado para TV linear. O relatório cita que plataformas como YouTube e CazéTV mostram que esportes ao vivo podem alcançar público amplo em um modelo gratuito, liderado por criadores e financiado por anúncios.
Sobre direitos do futebol, o Itaú BBA avalia que o setor entra em um ciclo mais construtivo de monetização, com a execução virando a variável-chave. O banco afirma que marco regulatório e criação de ligas ajudaram a remodelar o mercado e abrir espaço para mais compradores e distribuição digital.
Em análises de sensibilidade, o relatório estima que o mercado endereçável de mídia esportiva no País, atualmente em R$ 5,4 bilhões, pode chegar a R$ 7 bilhões a R$ 12 bilhões no longo prazo, o que implica crescimento de dois dígitos em cinco anos ou de um dígito alto em horizonte mais longo.