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Setor financeiro

Santander confirma renúncia de Christian Egan ao cargo de vice-presidente para liderar a B3

O executivo sucederá a Gilson Finkelsztain, que está de partida justamente para assumir a presidência do banco

Gilson Finkelsztain sairá da B3 para assumir a presidência do banco (Foto: Adobe Stock)

O Santander Brasil afirmou que o seu conselho de administração tomou conhecimento nesta quarta-feira, 20, do pedido de renúncia de Christian George Egan ao cargo de diretor vice-presidente executivo da companhia. Não foi informado quem assumirá a posição no seu lugar.

Na terça-feira, 19, o Estadão/Broadcast já havia noticiado que Egan, que tinha chegado havia apenas dois meses no Santander, assumiria a presidência da B3, com previsão de tomar posse no segundo semestre. Ele sucederá a Gilson Finkelsztain, que está de partida justamente para assumir a presidência do banco espanhol.

A escolha de Egan pegou o mercado de surpresa. Até então, a lista de potenciais candidatos tinha dois nomes principais: Caio Ibrahim David, eleito presidente do conselho no ano passado, e Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da B3, trazido à Bolsa pelas mãos de Finkelsztain. Alexandre Bettamio, do Bank of America, também havia sido cotado para o cargo, mas a escolha não caminhou.

Egan tem passagens pelo Credit Suisse, Itaú e Tivio Capital, de onde foi para o Santander na liderança de segmentos de corporate e investment banking. Sua experiência inclui passagens por global markets, tesouraria, mercados listados, distribuição institucional e gestão de ativos.

Agora vai assumir uma bolsa que enfrenta um ambiente bastante diferente de quando Finkelsztain se sentou na cadeira de presidente, há nove anos. Muitas companhias têm optado por uma listagem no exterior, especialmente do segmento de tecnologia. A discussão sobre a “exportação” de empresas para Nova York ocorre há pelo menos oito ano.

Há ainda espaço para melhorar o acesso de pequenas e médias empresas na bolsa. Várias iniciativas foram tomadas, dentro e fora da Bolsa, mas o espaço não chegou a ser aberto. Uma tentativa mais concreta se desenha agora com a flexibilização das regras pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma listagem.

Enquanto no Itaú BBA, Egan chamava atenção em 2018 ao fato de a Bolsa brasileira ter listada um número muito baixo de empresas em relação ao PIB do País e comparativamente a outros mercados da América Latina.

Há fatores conjunturais ao redor da questão, como a elevada taxa de juro no País, que sempre manteve investidores acomodados em títulos públicos ou na poupança. Mas o mercado de capitais brasileiro amadureceu muito nos últimos anos, trazendo um número expressivamente maior de investidores para o mercado.

Em paralelo, os investidores aprenderam a investir na renda fixa e no crédito privado. Volumes recordes de recursos têm sido captado pelas empresas fora da bolsa, com emissão de títulos de dívida, fazendo circular muito dinheiro entre as plataformas de investimento, gestoras e corretoras.

Os registros de todas as transações que acontecem no mercado brasileiro passam pela B3, mas a tecnologia abriu possibilidades variadas para a entrada de empresas que oferecem infraestrutura de mercado mais barata e começam a ameaçar o monopólio da B3. Sem contar com as empresas que se preparam para concorrer no mercado de ações e de derivativos, como a CSD BR, a Base Exchange e a ARX, e prometem barulho.

Reação

A B3 não também se movimentou, modernizando suas estruturas, criando novos produtos e se posicionando mais fortemente em infraestrutura de mercado. Mas há quem veja um tamanho desproporcional da B3, com um número excessivo de pessoas em comparação a outras bolsas no mundo.

A Bolsa também não deixou passar oportunidades para fazer uso de uma vastidão de dados, acumulados ao longo de cem anos. Adquiriu grandes companhias do setor de tecnologia de dados e inteligência artificial – Neoway e Neurotech – e começa a monetizar a oferta de análises e soluções para empresas sob uma nova área de negócios batizada de Trillia.

A B3 fechou o primeiro trimestre com uma alta anual de 20% em suas receitas, que atingiram R$ 3,2 bilhões. O crescimento alcançado veio da combinação de maior atividade de mercado acionário e expansão das receitas recorrentes. As receitas recorrentes, fruto do trabalho da bolsa de diversificar suas operaçoes para alem da renda variavel, vançaram 17%, com destaque para Soluções Analíticas de Dados (Trillia) (+23%)Renda Fixa e Crédito (+15%) e Soluções para Mercado de Capitais (+29%).

Em nota, o presidente do conselho da B3 disse que a trajetória de Egan é marcada por visão estratégica, proximidade com clientes, profundo conhecimento do negócio, atuação em mercados globais e está plenamente alinhada ao momento da companhia. “Iniciamos um novo ciclo – mais ambicioso, mais dinâmico e com maior capacidade de transformação”, afirmou.

Egan, por sua vez, afirmou estar “muito motivado com a oportunidade de contribuir para a próxima etapa dessa trajetória, fortalecendo ainda mais a proximidade com clientes e participantes de mercado, a excelência operacional e a agenda de inovação e crescimento da companhia”.

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