Um ano após comprar a seguradora do BMG, o banco Daycoval reverteu o prejuízo da empresa e ampliou a arrecadação em sua principal linha, o seguro-garantia. A virada de chave refletiu uma mudança na estratégia de negócios da companhia, que recebeu aporte inicial de R$ 250 milhões do banco e passou a priorizar produtos mais rentáveis.
Com a troca de acionista, a Daycoval Seguros negociou um novo contrato de resseguro – acordo em que parte dos riscos é transferida para uma resseguradora. O movimento ampliou a confiança do mercado na seguradora e abriu espaço para expansão mais sustentável das operações.
Em 2025, a companhia registrou lucro de R$ 13,7 milhões, após ter amargado perdas de R$ 10,4 milhões em 2024 e de R$ 4,3 milhões em 2023. A base de clientes ativos subiu para mais de 5 mil, com 11 mil apólices emitidas no último ano, a um total de mais de 41 mil. Os prêmios emitidos avançaram 26%, a R$ 414,3 milhões. “Com a entrada do Daycoval, houve uma sinergia muito grande do ponto de vista de clientes”, afirma a diretora executiva da Daycoval Seguros, Renata Oliver, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Segundo Renata, a integração com o banco permitiu à seguradora usar instrumentos que não são típicos do mercado segurador, entre eles colaterais financeiros, que usam ativos como garantia para reduzir o risco de uma operação. Ao mesmo tempo, funções de suporte (TI e administrativo, por exemplo) foram incorporados pelo Daycoval, o que permitiu a empresa focar nos serviços centrais. “O Daycoval é um banco corporativo com atuação forte no middle market, um mercado ainda bastante ‘greenfield’ (pouco explorado), especialmente no seguro garantia”, acrescenta.
Alternativa à fiança bancária
O seguro garantia é um produto que busca garantir o cumprimento de obrigações contratuais, indenizando o segurado por prejuízos decorrentes da inadimplência do tomador. A modalidade representa uma alternativa à fiança bancária, que tende a ser vinculado às condições de crédito com um banco. A linha é amplamente usada em licitações, contratos de construções e depósitos judiciais. “Neste cenário macroeconômico em que vivemos, o seguro garantia acaba liberando recursos para a empresa ter mais capital de giro e mais fluxo de caixa”, explica Oliver.
Na Daycoval Seguros, o produto responde por 80% do faturamento da empresa. A seguradora descontinuou linhas menos rentáveis, como de engenharia, e reduziu a exposição ao segmento de pequenas e médias empresas.
O mercado tem sido impulsionado pelo seguro garantia nos segmentos judicial e de infraesturura. O primeiro deve ser aquecido pelo alto volume de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Já em infraestrutura, a nova lei de licitações deve destravar obras paralisadas e, assim, ampliar a demanda pelo instrumento garantidor.
“Com a nova lei, a seguradora passa a atuar como interveniente anuente nos contratos, assumindo um papel mais relevante como agente privado nessa relação e ajudando a dar maior segurança e equilíbrio às operações”, explica s executiva.
A médio prazo, depois de consolidar os negócios principais, a Daycoval Seguros pretende avançar em seguros massificados para pessoa física. “No segundo semestre, início do próximo ano, a gente entra com novas linhas de produtos para subsidiar o crescimento da companhia ao longo dos próximos anos”, ressalta ela.