O Itaú BBA avalia que a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 do setor bancário deve mostrar uma divergência significativa no desempenho entre os players. O banco coloca B3, BTG, Bradesco e “talvez Nu” no grupo com viés mais favorável, enquanto espera tendências desanimadoras para Banco do Brasil, BB Seguridade e Stone.
Em relatório, os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Mateus Raffaelli destacam que a XP, que era vista com otimismo para o primeiro trimestre, agora apresenta números menores e que as estimativas do Inter foram revisadas para baixo na semana anterior.
O Itaú BBA espera que o Bradesco entregue melhorias consistentes e projeta mai um trimestre de crescimento do lucro, estimado em R$ 6,7 bilhões, alta de 3% em relação ao trimestre anterior e de 14% ante o ano anterior, com ROE de 15,4%. Segundo o relatório, a carteira de crédito deve manter um ritmo sólido, com alta de 10% ante o ano anterior e de 2% em relação ao trimestre anterior, enquanto a receita líquida de juros deve avançar 14% ante o ano anterior ou 3% em relação ao trimestre anterior, sustentada por melhores margens.
Para o Itaú BBA, as provisões do Bradesco, em torno de R$ 9,2 bilhões, devem ficar acima do trimestre anterior, por efeitos sazonais e por alguns casos ligados ao agronegócio e a empresas, com inadimplência de pessoas físicas estável. Segundo a instituição, o crescimento das despesas administrativas deve desacelerar, gerando ganhos de eficiência, e a vertical de seguros deve começar o ano com crescimento de dois dígitos. No conjunto, o Itaú BBA diz que o trimestre deve ser um bom presságio para as expectativas do ano fiscal de 2026 e menciona que mais detalhes sobre impactos de capital da BradSaude devem ser divulgados em breve.
Santander
Para o Santander Brasil, a expectativa do Itaú BBA é de um trimestre, na sequência, mais fraco, com lucro líquido de aproximadamente R$ 4 bilhões e ROE de 16,6%, ligeiramente abaixo do trimestre anterior. A receita líquida de juros total deve subir 4% ante o ano anterior, para R$ 16,5 bilhões, com a NII de mercado ainda negativa, enquanto o custo do risco deve aumentar em relação ao trimestre anterior para cerca de R$ 6,5 bilhões, pressionado por pequenas e médias empresas e por fatores sazonais do início do ano no crédito ao consumidor.
BB
O Banco do Brasil, na avaliação do Itaú BBA, deve ter o trimestre mais desafiador entre os grandes bancos, com provisões ainda elevadas, em torno de R$ 17,4 bilhões, e deterioração dos estágios de inadimplência em diversas carteiras. O banco projeta lucro líquido de R$ 3,6 bilhões e ROE de 7,5% e afirma que um começo fraco de 2026 exigiria aceleração significativa para o BB atingir a faixa indicada para o lucro do ano fiscal, de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, enquanto a projeção é de R$ 21 bilhões.
NU e Inter
No segmento digital, o Itaú BBA diz que o Nubank deve trazer resultados mistos, mas positivos no núcleo operacional. O banco projeta crescimento de 35% na carteira de crédito e de 42% nas receitas ante o ano anterior. Mesmo com custo de risco mais elevado, descrito como comum no período por volumes de originação e mudanças de risco, a receita líquida de juros após o fechamento do negócio deve crescer em relação ao trimestre anterior e 56% ante o ano anterior.
Ao mesmo tempo, a instituição afirma que os investimentos em crescimento devem absorver esses ganhos e estima uma nova camada de despesas administrativas, com alta de 65% ante o ano anterior, ligada à expansão global, à premiumização no Brasil e ao retorno ao escritório. Com ajuda de uma redução do imposto de renda, o Itaú BBA espera que o lucro do Nubank tenha leve queda em relação ao trimestre anterior, para R$ 4,6 bilhões, ou US$ 870 milhões, com ROE de 29%. Na visão do banco, isso pode não gerar grande impacto nos números principais, mas tende a ser positivo para o médio prazo, desde que o crédito principal se mantenha sólido.
Para o Inter, o Itaú BBA afirma que reduziu as expectativas para o primeiro trimestre por aumento das provisões, mas mantém a leitura de melhora gradual de rentabilidade, com NII total crescendo 4% em relação ao trimestre anterior e ganhos de eficiência levando a lucro líquido de R$ 405 milhões, alta de 8% em relação ao trimestre anterior, e ROE de 15,3%.