A XP avalia que a Natura entra em 2026 abrindo espaço para um novo ciclo, após praticamente concluir o processo de simplificação da companhia e encerrar os custos de transformação ligados ao plano “Wave 2”.
Após reunião com a alta gestão, a corretora reforçou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 15, o que implica potencial de alta de 100% em relação ao fechamento de ontem.
Para a analista da corretora, Danniela Eiger, a venda da Avon Internacional foi concluída em 2025 sem necessidade de injeção adicional de capital, restando apenas a operação da Avon Rússia, descrita pela gestão como menor, lucrativa e geradora de caixa.
Eiger acrescenta que alternativas estratégicas para esse ativo estão em andamento e podem resultar em entrada de recursos como risco positivo. “A expectativa é de que a estrutura de capital atinja níveis considerados ótimos já no fim de 2025, o que abriria espaço para devolução de capital aos acionistas em 2026”, afirmou.
A Natura também iniciou em dezembro uma reestruturação corporativa que deve ser majoritariamente concluída no primeiro trimestre. O novo modelo operacional, segundo a XP, deve gerar economias em despesas gerais e administrativas (G&A) em 2026, funcionando como um dos principais vetores de expansão de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mesmo considerando custos de desligamento.
Já o encerramento do “Wave 2” no quarto trimestre de 2025 deve eliminar custos de transformação a partir de 2026. Contudo, a profissional observa que a operação na Argentina ainda não se estabilizou, enquanto o México apresenta quadro mais normalizado, com expectativa de retomada do crescimento no próximo ano.
Somado a isso, o relançamento da marca Avon está previsto para o primeiro semestre de 2026. O processo deve ocorrer em fases, começando pelo Brasil e depois pelo México, utilizando investimentos em pesquisa e desenvolvimento já realizados em 2025, sem demanda adicional de capital neste ano.
No curto prazo, Eiger descreve um cenário ainda pressionado por demanda fraca no Brasil e pelos efeitos remanescentes do “Wave 2” na América Hispânica, mas vê evolução favorável em rentabilidade e geração de caixa. Para o quarto trimestre, a margem Ebitda ajustada deve ser de 13%, impulsionada por menores despesas com SG&A e por uma base de comparação mais fácil.