O tráfego total de veículos nas concessões rodoviárias administradas pela Motiva avançou 5,4% em dezembro de 2025 na comparação com igual mês de 2024. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira, 12, pela companhia. No acumulado de 2025, a alta é de 2,4%.
Em dezembro, os maiores destaques positivos foram RioSP (+15,3%), SPVias (+6,1%), Renovias (+5,2%), AutoBAn (+4,5%) e ViaLagos (+4,1%). Na outra ponta, ViaCosteira recuou 0,5%, enquanto ViaRio teve leve avanço de 0,6% e Pantanal cresceu 0,9%.
No acumulado do ano, os melhores desempenhos partiram da ViaSul (+5,6%), RioSP (+3,9%), SPVias (+3,6%) e Renovias (+2,3%). As quedas mais relevantes foram registradas na Pantanal (-1,3%) e na ViaRio (-0,7%).
Nas concessões de mobilidade urbana, o movimento comparável cresceu 2,8% em dezembro ante um ano, alcançando 60,082 milhões de passageiros.
O destaque foi a ViaMobilidade Linhas 8 e 9 (+5,8%), seguida pelo VLT Carioca (+4,5%) e pela ViaMobilidade Linhas 5 e 17 (+3,2%). Por outro lado, o MetrôBahia caiu 2,6%, enquanto a ViaQuatro avançou 1,9%.
No acumulado do ano, o setor de mobilidade registra alta de 2,1%, com destaque para o VLT Carioca (+11,2%) e para as Linhas 8 e 9 (+3,0%).
Nos aeroportos, o fluxo total de passageiros cresceu 7,8% em dezembro na comparação anual. As maiores altas foram observadas no Bloco Sul (+11,2%), Aeris (+10,8%) e Bloco Central (+10,5%). Curaçao avançou 8,8%, Quito cresceu 2,7% e o BH Airport teve alta de 3,1%.
No acumulado de janeiro a dezembro, o total comparável dos aeroportos somou alta de 6,1%, impulsionado principalmente por Curaçao (+15,7%), BH Airport (+7,8%) e Bloco Central (+7,4%).
BTG: Motiva entra em 2026 com foco em reciclagem de ativos, leilões e disciplina de capital
Após um ano considerado transformacional, a Motiva inicia 2026 com uma agenda concentrada na execução de sua estratégia de longo prazo, que combina reciclagem de ativos, expansão seletiva do portfólio e ganhos de eficiência operacional. Segundo avaliação do BTG Pactual, o foco para o novo exercício permanece alinhado ao plano implementado desde 2024, agora com maior ênfase na monetização dos ativos de mobilidade urbana e na disciplina de capital.
Em 2025, a companhia avançou na revisão do portfólio com a venda do negócio de aeroportos, movimento descrito pelo banco como “o ápice do processo de avaliação dos ativos”. No período, a Motiva também garantiu novos ativos relevantes, como a concessão da rodovia Fernão Dias e a repactuação do contrato da MSVia, além de destravar reequilíbrios contratuais importantes, entre eles o da ViaQuatro, pendente há anos.
“A combinação da agenda de transformação com a queda das taxas de juros de longo prazo foi determinante para a forte valorização das ações em 2025”, afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.
Olhando para este ano, o trio do BTG destaca três eixos principais. O primeiro é a continuidade da reciclagem de capital, com expectativa de avanços na monetização dos ativos de mobilidade urbana, movimento visto como relevante tanto para a desalavancagem quanto para a eficiência tributária da holding.
O segundo pilar é a participação em novos leilões, em um pipeline de projetos considerado robusto, embora o banco ressalte que a qualidade das propostas e a atratividade dos retornos serão determinantes diante de um ambiente competitivo mais intenso. O terceiro ponto é a agenda de eficiência, com metas ambiciosas de redução de custos em relação à receita, que seguem no radar dos investidores.
Do ponto de vista macroeconômico, a Motiva segue sendo tratada como um ativo “bond proxy”, ou seja, que se comporta de maneira semelhante a um título de renda fixa. Assim, a trajetória das taxas de juros de longo prazo no Brasil permanece como o principal gatilho para o desempenho das ações.
A alavancagem também é monitorada de perto, dado o volume de compromissos de investimento, estimado em cerca de R$ 60 bilhões, com a relação dívida líquida/Ebitda em torno de 3,6 vezes. Movimentos adicionais de reciclagem de ativos são vistos como um fator de alívio para esse indicador.
Em termos de valuation, o BTG estima que o papel negocia com uma taxa interna de retorno implícita real próxima de 10%, o que representa um prêmio de cerca de 290 pontos-base em relação aos títulos públicos indexados à inflação de longo prazo. O banco classifica a Motiva como uma das principais apostas de qualidade no setor de infraestrutura e destaca que, apesar da melhora no posicionamento ao longo de 2025, ainda há espaço para maior participação de investidores estrangeiros ao longo de 2026.