O Itaú BBA projeta resultados “heterogêneos” para as empresas brasileiras de saúde no terceiro trimestre de 2026, com crescimento de receita em boa parte do setor, mas pressão sobre a rentabilidade de operadoras de planos de saúde e farmacêuticas.
Em relatório assinado pelos analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, o banco destaca perspectivas positivas para Fleury e Mater Dei, enquanto prevê mais um trimestre desafiador para a Hapvida.
Na Rede D’Or, o banco espera crescimento de 9,8% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado, para R$ 3,06 bilhões. O desempenho da divisão hospitalar deve ser mais fraco, com alta de apenas 4% no Ebitda, diante de uma base de comparação difícil. Em contrapartida, a SulAmérica deve continuar melhorando a sinistralidade, contribuindo para os resultados do grupo.
Para a Bradsaúde, o Itaú BBA estima alta de 11,9% nos prêmios ganhos, para R$ 14,45 bilhões, mas prevê aumento de 1,7 ponto porcentual na sinistralidade médica, para 85,7%. O lucro líquido deve recuar 9,6%, para R$ 850 milhões. O banco, porém, espera melhora do indicador de sinistralidade no quarto trimestre. Já a Hapvida deve perder 132 mil beneficiários no período, enquanto o Ebitda ajustado deve cair 24%, para R$ 466 milhões, refletindo a saída de contratos de baixa margem e os efeitos da judicialização.
Entre as empresas de diagnósticos, a Fleury deve registrar crescimento de 12% na receita líquida, para R$ 2,46 bilhões, e alta de 24,6% no lucro líquido, para R$ 230 milhões. O desempenho deve ser sustentado pela expansão da marca Fleury, pelas demais marcas, pelas aquisições recentes e pelo segmento de atendimento a empresas. A Mater Dei também deve apresentar resultados positivos, com avanço de 12,4% na receita, para R$ 638 milhões, e crescimento de 15% no Ebitda ajustado, para R$ 145 milhões.
Na indústria farmacêutica, a Hypera deve ter alta de 9,1% na receita líquida, para R$ 2,43 bilhões, impulsionada pela comercialização do Semavy, à base de semaglutida. A rentabilidade, contudo, deve ser pressionada pela composição menos favorável das vendas e pelas despesas promocionais de lançamentos. O Itaú BBA destaca o potencial dos medicamentos da classe GLP-1 (canetas emagrecedoras) para revisões positivas das estimativas da companhia, enquanto a redução da alavancagem financeira segue no caminho esperado.