A Omie, empresa de software para gestão de empresas (ERP, na sigla em inglês), está fortalecendo sua atuação na área de finanças com a criação de seu primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). O veículo está estruturado inicialmente com um aporte de R$ 75 milhões e meta de captar R$ 200 milhões até 2027, para antecipar recebíveis das empresas clientes da companhia. No segmento de produtos financeiros, a Omie tem também um cartão corporativo próprio, lançado com a bandeira Mastercard.
A iniciativa segue uma tendência observada entre empresas de software de gestão. A Totvs, maior companhia brasileira de ERP, atua no setor por meio da Techfin, joint venture formada com o Itaú.
No FIDC da Omie, o Banco BV atua como coordenador líder da oferta e primeiro investidor no fundo. A QI Tech será responsável pela administração e gestão do veículo. Já a Omie ocupa a posição de cotista júnior, absorvendo o risco primário de inadimplência das operações e oferecendo proteção às cotas seniores.
Os FIDCs vêm se consolidando como um dos principais instrumentos de captação entre fintechs brasileiras. Levantamento das plataformas Sling Hub e Torq mostra que quatro das cinco maiores operações do setor no ano de 2025 foram estruturadas por meio do instrumento.
Segundo a Omie, o diferencial para conceder crédito está no acesso a dados financeiros em tempo real: ao gerir o ERP de mais de 180 mil clientes, a companhia afirma ter visibilidade sobre faturamento e fluxo de caixa dos tomadores, o que permite critérios de concessão mais ágeis e reduz a assimetria de informação comum no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), foco da companhia.