A Tenda lançou 14 empreendimentos no segmento de mesmo nome no segundo trimestre deste ano, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,680 bilhão, aumento de 54,4% em relação ao mesmo período de 2025 e de 18,8% sobre o primeiro trimestre de 2026. De acordo com a companhia, os dados são prévios e não auditados.
O preço médio de lançamento por unidade foi de R$ 250,3 mil, alta de 15,3% na comparação anual e de 7,7% em relação ao trimestre anterior. Segundo a empresa, o aumento no preço médio de lançamentos se justifica principalmente pelo melhor mix, distribuído entre as faixas 1, 2 e 3, com endereços qualificados, proporcionado pela estratégia de adoção de atributos.
Em vendas líquidas, o segmento Tenda encerrou o período em R$ 1,318 bilhão, alta de 25,4% em comparação a igual intervalo de 2025, com velocidade sobre a oferta líquida (VSO Líquida) de 23,9%. A redução da VSO em relação ao patamar entre 25% e 30%, que entende como saudável, reflete a política de reposição de preço adotada no primeiro semestre do ano para mitigar a exposição à pressão de custos observada nos meses de março e abril, explica a empresa. A partir de julho, o foco volta a ser o aumento da VSO, uma vez que o cenário de risco inflacionário se dissipou, diz.
A Tenda também reportou distratos de R$ 189,0 milhões no segmento Tenda de abril a junho, com aumento de 24,8% e 39,5% em relação ao período entre janeiro e março deste ano e a um ano antes, respectivamente, atribuídas principalmente ao cancelamento proativo de vendas de um empreendimento recém-lançado com licença em discussão por questões ambientais, apesar de, segundo a companhia, todo o rito legal ter sido cumprido. No segundo trimestre, o VGV repassado da Tenda totalizou R$ 990,6 milhões, crescimento anual de 7,5%.
Banco de terrenos encerra o trimestre com recorde
No braço Alea, o lançamento de três empreendimentos entre abril e junho, com VGV de R$ 85,5 milhões e preço médio de lançamento por unidade de R$ 222,7 mil. As vendas líquidas foram de R$ 84,2 milhões, com VSO Líquida de 36,5%, e os distratos, de R$ 18,2 milhões. A Alea reportou VGV repassado de R$ 91,5 milhões, alta de 4,0% em comparação ao trimestre anterior, com repasse total de 520 unidades no segundo trimestre. A Tenda informou ainda que o Projeto de Canoas, de 1.500 unidades, assinado em 10 de julho de 2025, foi descontinuado, sem gerar penalização.
No banco de terrenos, a empresa informou que encerrou o trimestre com recorde de R$ 27,7 bilhões em VGV, altas de 35,1% e 20,3% em relação ao mesmo período do ano passado e na comparação trimestral. De acordo com a companhia, o porcentual de compras em permuta atingiu 59,3% e destacou que, mesmo para terrenos adquiridos em caixa, mais de 90% do pagamento está atrelado à obtenção do registro de incorporação.
A empresa Tenda ainda que, de aproximadamente R$ 5 bilhões adquiridos no trimestre, 39% foi concentrado nas praças do Nordeste. No caso da Alea, o VGV do banco de terrenos foi de R$ 6,1 bilhões, altas de 8,2% na base anual e de 0,4% ante o primeiro período de 2026, representando 18,4% do VGV consolidado.
Citi vê avanço operacional, mas alerta para aumento dos distratos
O Citi avalia que as prévias operacionais da Tenda, referentes ao segundo trimestre, trouxeram “sinais mistos”. Na percepção do banco, o “forte desempenho em lançamentos e preços” foi parcialmente ofuscado por um quadro “mais fraco em vendas e cancelamentos”, fatores que moderam as expectativas diante da menor disponibilidade de estoque e do aumento dos distratos.
De acordo com os analistas André Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy, o avanço dos distratos ocorreu “em parte devido ao cancelamento proativo de vendas em um projeto com licença ambiental em discussão”.
Entre os destaques positivos, o Citi ressaltou o desempenho do landbank da Tenda, que atingiu um recorde de R$ 27,7 bilhões, com crescimento de 20% em relação ao trimestre anterior e de 35% na comparação anual.
Já a Alea, na visão do banco, permaneceu “pequena e com desempenho misto”. A operação registrou lançamentos de R$ 86 milhões e vendas líquidas de R$ 84 milhões, queda de 42% em um ano. Ainda assim, a participação líquida nas vendas permaneceu em 36,5%, patamar considerado “saudável” pelos analistas.
No geral, o Citi classificou a prévia como “ligeiramente positiva”, destacando que o crescimento robusto dos lançamentos e o avanço dos preços compensaram apenas parcialmente o desempenho mais fraco das vendas líquidas e o aumento dos cancelamentos.
O Citi manteve a recomendação de compra para Tenda, embora siga classificando o papel como “Alto Risco”. O preço-alvo segue em R$ 44 por ação, o que representa um potencial de valorização de 25,7% sobre o último fechamento. Além disso, o banco estima que a companhia seja negociada a 5,4 vezes o lucro por ação projetado para 2027, levemente abaixo da média de 5,5 vezes do setor.
Polo Capital reduz participação e passa a deter 19,86% das ações ordinárias
A Tenda informou que recebeu, na segunda-feira, 6, comunicado dos fundos geridos pela Polo Capital informando redução de participação acionária, passando a deter 24,342 milhões de ações ordinárias da Tenda, equivalentes a 19,86% do total.
O investidor declarou ainda que, desse montante, 4,117 milhões correspondem a instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações ordinárias da companhia. /Com Amélia Alves e Luísa Laval