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Energia Elétrica

CPFL Energia: Expectativa é de que ainda haja leilão de bateria em 2026, diz Fagali

Companhia obteve lucro líquido de R$ 1,9 bi no 1º trimestre, alta anual de 18,2% em relação ao mesmo período de 2025

Executivo defendeu a manutenção dos atuais parâmetros de aversão ao risco (Foto: Divulgação)

A CPFL Energia ainda mantém a expectativa de que o primeiro leilão de baterias brasileiro ocorra este ano e vem se preparando para participar da disputa, disse na sexta-feira, 15, o diretor vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL Energia, Vitor Fagali.

A companhia registrou, no primeiro trimestre deste ano, lucro líquido consolidado de R$ 1,909 bilhão, alta de 18,2% em relação ao R$ 1,615 bilhão anotado no mesmo período do ano passado (veja resultados mais abaixo).

“Do nosso lado, nós estamos estudando, já desde o ano passado, um potencial projeto aqui para a bateria, tem bastante tecnologia nova e temos aprofundado bastante. Então a expectativa da companhia para o leilão de bateria é muito alta, é um foco aqui para nós, mas estamos aguardando a regulamentação final e a orientação aqui da portaria para ver quando que vai de fato acontecer o leilão”, afirmou, durante videoconferência com analistas e investidores.

Ele fez referência ao fato de que o setor ainda aguarda a regulamentação final do segmento pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), além de portaria com as diretrizes do leilão pelo Ministério de Minas e Energia.

Embora tenha reforçado expectativa num leilão em 2026, admitiu que o atraso na regulamentação e na divulgação das diretrizes, o certame pode acabar escorregando para o ano que vem.

Durante a videoconferência, Fagali também foi questionado sobre expectativa para o próximo leilão de transmissão. Para ele, a disputa deve seguir a mesma dinâmica dos últimos certames, com bastante concorrência. “É um segmento bem consistente, bem estável e é uma alavanca para o setor, então não temos muita expectativa diferente do passado para esse leilão que deve acontecer agora em outubro” disse.

O presidente da CPFL, Gustavo Estrella, também comentou sobre a perspectiva para o leilão de baterias, sugerindo que o certame é importante para tratar o tema da intermitência.

Ele citou, porém, que para além dessa contratação de potência – que permitiria ao País armazenar energia excedente no meio do dia e injetá-la à noite quando a demanda cresce e não há geração solar -, há o desafio de “entender como é que vai ser da dinâmica do mercado de mini e micro geração distribuída (MMGD)”.

O segmento, representando por pequenas fazendas solares e painéis fotovoltaicos instalados nos telhados de casas e fábricas, segue crescendo e ampliando a intermitência, disse, salientando o aumento dos projetos “à revelia”, isto é, com capacidade acima da autorizada pelas concessionárias.

“Precisamos entender como é que mitigamos risco, permite a expansão de maneira correta, sem trazer prejuízos nem para a operação, e nem impacto financeiro para quem não tem a GD”, disse.

Aversão ao risco

Fagali defendeu a manutenção dos atuais parâmetros de aversão ao risco utilizados nos modelos computacionais responsáveis pela operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O tema, em discussão no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), tem dividido os agentes do setor e levou o colegiado a pedir esta semana mais estudos para balizar a decisão. Entre os segmentos do setor, observa-se grandes geradoras defendendo a manutenção dos parâmetros atuais e comercializadoras e consumidores sugerindo ajustes.

Para Fagali, os parâmetros atuais – que consideram os 15% piores cenários hidrológicos com um peso de 40% para determinar despachos termelétricos – contribuem para manter o nível dos reservatórios das hidrelétricas, evitando despachos térmicos fora da ordem de mérito, o que impulsionaria encargos.

“Mas eu acho que o principal fator é também pela estabilidade das regras regulatórias”, acrescentou. Ele citou que o chamado “par 15,40 foi introduzido nos modelos computacionais no começo de 2025 e portanto tem menos de um ano e meio de registro. “Uma mudança nova desse parâmetro pode trazer mais instabilidade”, reforçou.

Ele citou que a formação de preço é um tema muito complexo e discutido, e avaliou que retirar a incerteza da mudança de regra contribuiria positivamente para o setor.

Os resultados do 1º trimestre

O resultado foi impulsionado principalmente por efeitos financeiros e tributários positivos. De um lado, a companhia foi beneficiada pelo efeito de marcação a mercado de suas captações, de outro, a CPFL fez reconhecimentos de créditos de ICMS sobre PIS/Cofins que também favoreceram o resultado financeiro trimestral.

O desempenho operacional foi mais tímido. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) ficou em R$ 3,86 bilhões nos três primeiros meses de 2026, praticamente estável (+0,2%) em relação aos R$ 3,852 bilhões anotados nos mesmos meses do exercício passado.

A receita operacional líquida somou R$ 11,342 bilhões entre janeiro e março, alta de 6,4% ante o registrado na mesma etapa de 2025.

De acordo com a empresa, o desempenho refletiu dinâmicas distintas entre os segmentos de atuação da companhia, com pressão em distribuição parcialmente compensada por melhores resultados em geração e gestão de energia.

Na distribuição, o Ebitda ficou em R$ 2,53 bilhões no primeiro trimestre, queda anual de 2,3%, em decorrência, principalmente, de efeitos contábeis relacionados à atualização de ativos regulatórios.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da companhia, Gustavo Estrella, salientou que esse efeito contábil vai desaparecer agora com a assinatura dos contratos de concessão, realizada na semana passada.

O consumo de energia nas distribuidoras do grupo apresentou leve retração de 0,7% no período, enquanto o volume de demanda na área de concessão cresceu 4,5%.

No segmento de geração e gestão de energia, o Ebitda cresceu 10,2% na comparação anual, para R$ 921 milhões, beneficiado por reajustes contratuais e melhor composição do portfólio, mesmo diante do aumento da restrição da geração (curtailment) e menor intensidade de ventos, o que reduziu o volume gerado.

A empresa anotou uma queda de 12,3% na geração eólica, sendo cerca de 4% por curtailment (redução ou interrupção forçada da geração) e 8% em decorrência dos ventos mais fracos. “Mas tivemos um efeito em tarifa positiva, porque os parques do Ceará foram menos afetados por essa performance baixa de vento”, explicou Estrella. Essas usinas estão contratadas por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e possuem tarifas mais elevadas, o que compensou a piora na geração total.

Na Transmissão, o Ebitda regulatório somou R$ 231 milhões, alta de 16,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, refletindo principalmente o reajuste anual da receita permitida e a manutenção da disciplina na gestão de custos.

Endividamento

A CPFL encerrou março com dívida líquida de R$ 30,6 bilhões, alta de 15,4% em um ano, mas pouco acima dos R$ 30,53 bilhões anotados no fim de 2025. A alavancagem, medida pela relação Dívida Líquida/Ebitda, aumentou chegou a 2,31 vezes, ante as 2,3 vezes de dezembro e as 2,04 vezes do primeiro trimestre do ano passado.

Estrella destacou que no trimestre a companhia realizou um volume significativo de captações, somando R$ 4,4 bilhões, a um custo de CDI menos 0,62% e com prazo médio superior a cinco anos.

“Temos sempre a estratégia de rolagem antecipada das nossas captações, a depender das condições de mercado, então, se há condição de mercado, a gente antecipa os vencimentos olhando até dois anos à frente, para evitar qualquer tipo de concentração de vencimentos de curto prazo, e foi o que fizemos”, explicou.

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