A alta de 1,4% nos serviços prestados às famílias em fevereiro é um indicador relevante de que a atividade econômica deve continuar resiliente no primeiro trimestre mesmo diante da taxa Selic em patamar restritivo, afirmou Antonio Ricciardi, economista do banco Daycoval.
Segundo o economista, o avanço de 0,1% do volume de serviços em fevereiro ante janeiro ficou abaixo do esperado pelo Daycoval (0,5%), mas os serviços prestados às famílias, que cresceram 1,4% na mesma comparação e acumularam alta de 3,0% no primeiro bimestre, foram um dos elementos que ampararam o leve avanço do indicador.
“Esse resultado é relevante, uma vez que é possível inferir que são os efeitos positivos da valorização real do salário mínimo e da isenção do IRPF já surtindo efeito sobre a atividade econômica”, disse Ricciardi, acrescentando que estes mesmos efeitos devem aparecer também nos dados sobre as vendas do varejo em fevereiro e podem ficar mais evidentes a partir de março.
Ricciardi também destacou o segmento de transportes, que cresceu 0,6% em fevereiro ante janeiro, mas recuou 2,8% em relação a igual mês de 2025 e acumulou queda de 1,0% no primeiro bimestre deste ano, limitando o desempenho do volume de serviços nestas comparações.
“Se a gente faz o carrego estatístico para o primeiro trimestre dos transportes, isso resultaria em uma queda de 1,7%. Boa parte desse desempenho mais fraco da PMS vem de um item que tem mais peso na PMS, mas peso menor no PIB”, disse o economista. “O consumo, o serviço prestado à família, acaba tendo um peso considerável no PIB, e aparenta estar com crescimento mais robusto, com carrego estatístico de crescimento de 1% para o primeiro trimestre”, acrescentou.