A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) investiu volume recorde em 2025, perto de R$ 3 bilhões, expansão de 32%, e deve investir mais R$ 21 bilhões de 2026 até 2030, sobretudo para a universalização do acesso ao esgoto, disse o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Adriano Rudek de Moura, em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, 26. O acesso à água já ocorre para 99% da população, enquanto para o esgoto soma 80,1%.
Os investimentos (capex) da Copasa somaram R$ 2,9 bilhões em 2025. A cifra representa uma alta de 32% ante 2024. Do montante total, R$ 1,4 bilhão foi direcionado à água; e R$ 906 milhões, ao esgoto. Além disso, R$ 134,6 milhões foram utilizados para o desenvolvimento empresarial e operacional de R$ 418,9 milhões para capitalizações, segundo o comunicado de divulgação de resultados.
O Programa de Investimentos da Copasa prevê crescimento dos aportes nos próximos anos. A projeção é de R$ 3,1 bilhões em investimentos para 2026; R$ 3,9 bilhões, em 2027; e R$ 4,8 bilhões, em 2028. Para os dois anos seguintes, a expectativa é de desaceleração, com R$ 4,7 bilhões em 2029 e R$ 4,5 bilhões em 2030.
A companhia destaca que o nível de aportes previstos no Programa de Investimentos visa à ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, extensão de redes, segurança hídrica, combate a perdas, desenvolvimento empresarial, atendimento de metas regulatórias e de eficiência, compromissos de concessão assumidos e reposição de ativos depreciados.
Custos e despesas
Os custos e despesas da Copasa, sem depreciação e amortização, atingiram R$ 1,09 bilhão no quarto trimestre de 2025. A cifra é 3% maior do que um ano antes. O aumento com pessoal foi de 4,9%, para R$ 442,5 milhões.
O número de empregados, no âmbito da Copasa (pró-forma), apresentou redução de 1,8% em relação ao observado em dezembro de 2024, chegando a 9.441 funcionários em dezembro de 2025.
Já no acumulado do ano, os custos e despesas, também sem depreciação e amortização, somaram R$ 4,2 bilhões. O valor representa uma alta anual de 4,7%.
Volume medido de água cresce 3,3%; e de esgoto, 3,9%
O volume medido de água pela Copasa cresceu 3,3% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período de 2024, atingindo 179,7 milhões de metros cúbicos. Já o de esgoto registrou alta de 3,9%, para 125,3 milhões de metros cúbicos.
A variação foi decorrente do efeito conjunto de maior período de consumo registrado no quarto trimestre de 2025 (95,4 dias) contra 92,3 dias um ano antes. Reflete também o incremento no número de economias de água (+1,6%) e de esgoto (+3,1%) nos últimos 12 meses, segundo o release de resultados.
Ainda do ponto de vista operacional, as perdas na distribuição ficaram em 32,4% em dezembro de 2025. O resultado representa queda de 5,7 pontos porcentuais em um ano.
A Copasa afirma que a redução das perdas resulta de um conjunto de ações estruturantes, como a substituição de 730 mil hidrômetros, a instalação de macromedidores e o uso de tecnologias avançadas, como sensoriamento via satélite e algoritmos específicos, para detecção de vazamentos não visíveis.
A substituição de cerca de 110 km de redes na Região Metropolitana de Belo Horizonte também contribuiu para a redução das perdas. Além disso, a Arsae-MG alterou a fórmula do indicador ao incluir o Consumo Autorizado Não Faturado (CANF), que engloba volumes operacionais, emergenciais e sociais. Desde setembro de 2025, esses volumes passaram a ser deduzidos das perdas, aumentando a precisão do cálculo.
Em fase final de trâmite para renovar contrato com BH
A Copasa está em fase final de trâmites para renovar o contrato com Belo Horizonte, o principal cliente da empresa mineira, de acordo com a presidente da companhia, Marília Carvalho de Melo.
A renovação dos contratos com os municípios mineiros é passo essencial antes da privatização da empresa. Segundo a presidente da Copasa, no caso de BH, questões comerciais e técnicas já foram acertadas.
“Estamos dialogando com todos os municípios. Definimos frente estratégica com os 80 principais”, disse a presidente da Copasa em teleconferência com investidores e analistas. Até agora, seis contratos foram renovados.
Além da renovação do contrato de saneamento, a presidente da Copasa disse que a empresa tem buscado incorporar contratos de esgoto para municípios onde só tem contrato para a água. A estatal atende 636 municípios mineiros.
O novo presidente do conselho de administração
O conselho de administração da Copasa elegeu, em reunião extraordinária realizada na quinta-feira, 19, Gustavo de Oliveira Barbosa como presidente do colegiado; e a conselheira Márcia Fragoso Soares, como vice-presidente. Barbosa assume o cargo após a renúncia de Hamilton Amadeo, formalizada em 12 de fevereiro.
Barbosa, já era conselheiro da empresa. Ele é graduado em Ciências Contábeis no Centro de Ensino Unificado de Brasília – UNICEUB (DF) e tem MBA em Gestão Executiva em Fundos de Pensão – ICAT/AUDF (DF). O presidente escolhido foi Secretário de Estado da Fazenda do Estado de Minas Gerais entre 2019 e 2024 e conselheiro Fiscal do Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais, além de presidente do conselho fiscal da Cemig.
Os resultados financeiros de 2025
A Copasa reportou lucro líquido de R$ 337 milhões no quarto trimestre de 2025, o que representa uma alta de 23,9% ante igual intervalo de 2024. Já o Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da companhia somou R$ 731 milhões entre outubro e dezembro de 2025, alta anual de 14,1%. A margem Ebitda avançou 2,5 pontos porcentuais na mesma base comparativa, atingindo 38,5%.
A receita líquida por sua vez somou R$ 1,88 bilhão no trimestre, 6,9% maior do que no mesmo intervalo do ano anterior. O resultado reflete o reajuste aplicado em 1º de janeiro de 2025, com Efeito Tarifário Médio (ETM) de 6,42%, assim como o aumento de 3,3% no volume medido de água e de 3,9% no volume de esgoto, segundo o release de resultados.
A receita líquida direta de água registrou alta de 6,9%, somando R$ 1,1 bilhão, enquanto a de esgoto avançou 8,7%, para R$ 587 milhões.
No acumulado de 2025, o lucro líquido da Copasa somou R$ 1,42 bilhão, 7,5% acima de 2024. O Ebitda atingiu R$ 2,85 bilhões, crescimento anual de 5,7%. A receita líquida avançou 5,6%, somando R$ 7,36 bilhões.
A companhia encerrou o ano passado com uma alavancagem, medida por dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses, de 2,3 vezes. No trimestre imediatamente anterior, o indicador fechou em 2,1 vezes e um ano antes, em 1,9 vez.