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Energia Elétrica

Norueguesa DNV conclui compra da brasileira Automa e planeja crescimento acelerado

Transação, cujo valor é mantido sob sigilo, fortalece portfólio do grupo estrangeiro como fornecedor global de soluções digitais para sistemas de energia

Automa é especializada no desenvolvimento de softwares para gestão, controle e monitoramento para empresas de energia elétrica (foto: Adobe Stock)

A norueguesa DNV concluiu nesta quinta-feira, 12, a compra da empresa brasileira Automa, especializada no desenvolvimento de softwares para gestão, controle e monitoramento para empresas de energia elétrica. A transação, cujo valor é mantido sob sigilo, complementa e fortalece o portfólio do grupo estrangeiro como fornecedor global de soluções digitais para sistemas de energia, ao mesmo tempo em que impulsiona a brasileira no mercado internacional. Pelos planos do novo controlador, a recém adquirida pode mais que dobrar de tamanho nos próximos anos.

A norueguesa já detinha expertise em monitoramento da geração renovável e soluções digitais, mas identificou na Automa competências que o grupo ainda não tinha, por exemplo, no segmento operacional de subestações de transmissão e distribuição. Por isso, executivos da companhia consideram que a aquisição trará uma “integração vertical” que permitirá posicionar sua divisão de energia, a DNV Energy Systems, como uma fornecedora completa (one-stop-shop) para seus clientes frente os desafios da transição energética em curso globalmente.

“Agora, com uma massa crítica suficiente de 1.200 pessoas [entre engenheiros e outros profissionais da divisão], nos posicionamos como um dos líderes da vanguarda do setor. E existe uma grande oportunidade que queremos aproveitar e continuar apoiando os clientes na aceleração dessa transição”, disse à Broadcast o vice-presidente de Energy Systems da DNV, Juan Carlos Arévalo.

O CEO global da divisão de Energy Systems da DNV, Ditlev Engel, destaca que, diante da corrida global por transição energética, tem havido um crescimento expressivo da eletrificação, o que impulsiona a busca por ganhos de eficiência para garantir custos competitivos de energia, notadamente a partir de fontes renováveis.

“As oportunidades para viabilizar essa eletrificação por meio da digitalização são enormes, e essa busca por eficiência, acreditamos, será fundamental para a competitividade e segurança futuras dos países”, disse, citando também a necessidade de investimentos em modernização das salas de controle dos Operadores de Sistemas de Transmissão. “Com as soluções e a tecnologia da Automa, podemos oferecer esse tipo de serviço a clientes no mundo todo”, acrescentou.

Expansão internacional

A possibilidade de aceleração do processo de internacionalização é uma das principais potencialidades para a Automa, que permanecerá operando de forma independente mesmo após a aquisição. A empresa passou a buscar novos mercados há dois anos, inicialmente aproveitando-se do relacionamento com grupos estrangeiros com operações no Brasil e que já utilizavam suas soluções localmente.

Atualmente, a Automa, cujas soluções gerenciam cerca de 60 gigawatts no Brasil, tem cerca de 10% de receita proveniente da Europa e dos Estados Unidos. “Mesmo tendo sucesso nessa expansão internacional, sabemos que para realmente jogar na ‘Champions League’ será muito mais fácil fazer isso com uma plataforma como a DNV, que está em cem países, conhece cada região, cada país do mundo no setor de energia”, disse o CEO da Automa, Marcelo Ferreira. Para ele, a inserção na DNV tornará mais fácil e rápido à empresa acessar novas oportunidades do que se buscasse novos contratos sozinha.

Além de presença na Europa, a DNV tem presença ativa na América do Norte, Oriente Médio e África. “A ideia é ajudar a Automa a acelerar o tempo de lançamento no mercado nesses países, com a possibilidade de estarmos em contato direto com os clientes, dizendo de forma clara e objetiva que temos uma oferta completa para eles”, reforçou Arévalo.

No Brasil, a transação deve permitir também potencializar a atuação das duas empresas. A DNV já atua no País, com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. “A DNV é uma das maiores autoridades mundiais em cibersegurança para infraestruturas críticas, e isso é algo que podemos conectar às nossas soluções da Automa e aprimorá-las”, explicou Ferreira.

Ele citou ainda oportunidades na gestão para otimização de ativos de geração renovável, num momento em que muitos geradores de energia solar e eólica enfrentam desafios para garantir a rentabilidade de suas usinas, tendo em vista os comandos para interromper a produção elétrica devido a restrições no sistema nacional. “Estamos investindo fortemente nesse sentido, ajudando diversos clientes a alcançar esse tipo de melhoria, e juntamente com a DNV certamente aprimoraremos nossa tecnologia para ajudar o Brasil a lidar com esse desafio”, acrescentou o executivo da Automa.

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