NOVA YORK – A Clear, da XP, lançou sua conta de investimento global em meio à ofensiva de bancos e corretoras brasileiros para surfar na onda de recursos que podem migrar para o exterior nos próximos anos. O potencial é estimado pelo mercado na casa do trilhão de reais, e tem como motor a diversidade do mercado americano, a despeito da volatilidade de curto prazo como a liquidação de ações de empresas de softwares realizada nos últimos dias.
Na Clear, o objetivo é penetrar entre 30% e 40% da base de mais de 800 mil clientes da corretora com a conta global em dois anos, segundo o diretor de Produtos Financeiros da XP Inc, Lucas Rabechini. “O potencial é significativamente grande e até maior do que em outras corretoras, porque temos um volume elevado de negociação de ações. A conta global casa bem com nosso público”, diz ele, em entrevista ao Estadão/Broadcast, após participar da cerimônia de encerramento do pregão na Nasdaq, a bolsa de tecnologia dos EUA, na quinta-feira, 5, em Nova York.
Adquirida pela XP em 2014, a Clear é a marca da corretora para investimento especializado em renda variável. Do seu público, cerca de 30% são operadores. “A ideia é ter ativos complementares no exterior do que temos no Brasil”, acrescenta Rabechini.
Segundo ele, mais do que um “rouba monte” no mercado, o movimento de internacionalização da Clear visa a agregar valor na jornada dos clientes. Diariamente, o executivo dedica ao menos uma hora do seu dia para entender como os usuários utilizam o aplicativo da corretora e as dores que precisam ser curadas.
“Acreditamos que vamos criar valor, não somente roubar o volume que os clientes já operam em outras corretoras”, afirma Rabechini.
Conforme ele, o acesso dos clientes à conta global será integrado ao aplicativo da Clear, com câmbio 24 horas, sete dias da semana. A nova plataforma estará disponível a partir de 3 de março, com acesso a ações americanas e Treasuries, que são os títulos de dívida do governo dos Estados Unidos.
Participação
O diretor da XP pondera que o volume de recursos de brasileiros investido no exterior ainda é “baixo” diante do potencial existente. É difícil precisar um número, afirma, mas o mercado fala que chega na casa do trilhão de reais. “Com o avanço do mercado, acreditamos que a penetração de investimentos globais nos portfólios de clientes brasileiros vai aumentar”, projeta.
Ele diz ainda que ondas de volatilidade como a vista nesta semana, quando investidores liquidaram ações de empresas de softwares, após o lançamento de um produto da Anthropic que fez aumentar as expectativas de que a inteligência artificial vai aposentar o desenvolvimento de sistemas de gestão e outros programas, ou em meio ao aumento de tensões geopolíticas, que também têm pesado no apetite por ativos de risco, não atrapalha a tese, porque a diversificação segue uma visão de longo prazo.
“O público que busca alocação fora do País sempre busca janelas de mais de longo prazo”, afirma o executivo. “O Brasil está ficando sem borda para investir”, acrescenta.
Por outro lado, o ano eleitoral e a expectativa de queda dos juros no Brasil também pode servir de alavanca para aumentar a migração de recursos de brasileiros para o exterior. “Com certeza, a depender do resultado da eleição, pode ser um fator importante para fazer os brasileiros pensarem a investir cada vez mais fora do País”, avalia, sem se arriscar em dizer qual será o placar das urnas na corrida ao Planalto.